Se a convenção nacional do Novo fosse hoje, Romeu Zema não seria mais indicado. Essa a constatação deste site ao ouvir presidentes de diretórios e lideranças do partido. O motivo é óbvio: o ex-governador cruzou a linha vermelha da crítica a Flávio Bolsonaro, colocando a perder as articulações regionais com o PL para ajudar o partido a superar a cláusula de barreira.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
As críticas de Zema estão prejudicando não só acordos já consolidados em diferentes estados, como Rio e Paraná, mas afugentam também os eleitores conservadores que vinham considerando nomes do Novo como segunda opção para o Senado e Câmara. Segundo um dirigente partidário, “Zema está destruindo todo o trabalho feito por Eduardo Ribeiro desde a expulsão de João Amoedo”.
“Zema poderia ter ponderado sobre as acusações contra Flávio, mas sem avançar com ofensas diretas. Ele comparou o senador a um gambá! Isso é inadmissível para qualquer aliado. O pior é que o Novo ficou muito estigmatizado com Amoedo, conseguiu se afastar daquela imagem e se abriu a muitos candidatos conservadores. Não dá para jogar tudo isso no lixo”, pondera outro integrante da Executiva Nacional do partido.
Segundo esse interlocutor, basta que Zema prejudique três bons candidatos para o partido não conseguir superar a cláusula de barreira, ficando sem acesso aos fundos partidário e eleitoral, e sem tempo de TV nas próximas eleições. Presidente do partido, Ribeiro viajou a Brasília para tentar uma reunião com Rogério Marinho, coordenador político da campanha de Flávio Bolsonaro, a fim de manter ao menos os palanques no Sul do país.
EDUARDO RIBEIRO PRESSIONADO
A pressão sobre o presidente do Novo parte, sobretudo, dos pré-candidatos à Câmara dos Deputados, tanto em Minas Gerais quanto em outros estados. A avaliação destes é que, em regiões onde a disputa eleitoral tende a ser mais acirrada, muitos candidatos do Novo dependem diretamente da proximidade com o eleitor alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em alguns desses cenários, parlamentares e pré-candidatos também enfrentam a concorrência de nomes já consolidados da direita, como o deputado federal Marcel van Hattem, o que aumenta a preocupação com qualquer desgaste junto à base conservadora.
Diante desse cenário, Zema recebeu um recado direto de integrantes da executiva e de lideranças estaduais do Novo: caso mantenha o tom adotado contra Flávio Bolsonaro, poderá perder apoio interno para disputar a Presidência da República. Ele também foi orientado a suspender novas entrevistas por enquanto.
A eventual candidatura presidencial de Zema era vista internamente mais como uma ferramenta para ampliar a visibilidade nacional do partido e impulsionar candidaturas ao Congresso do que propriamente como um projeto competitivo ao Planalto.