Lula diz que mulheres enfrentam jornada “mais grave”

O presidente Lula (PT) voltou a defender nesta terça-feira (26) a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou que a mudança para o modelo 5×2 pode trazer impacto ainda maior para as mulheres, por conta da chamada dupla jornada. A declaração foi feita durante cerimônia de entrega de 576 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, em Manaus (AM).

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Ao comentar a proposta em discussão no Congresso Nacional, Lula afirmou que o governo trabalhou para viabilizar o avanço do texto e relacionou a pauta à sobrecarga enfrentada por mulheres fora do ambiente profissional.

“Ontem, no Congresso Nacional, nós fizemos um acordo com o presidente da Câmara, e nós vamos acabar com a escala 6×1 e vamos botar a escala 5×2. O povo vai trabalhar cinco dias e vai poder descansar dois”, declarou.

Na sequência, o presidente mencionou os afazeres domésticos como parte da rotina feminina. “Porque a vida da mulher é mais grave ainda. Porque a mulher trabalha e, quando chega em casa, ela tem de lavar louça, tem de lavar o banheiro, tem de lavar roupa, tem de cuidar das coisas. A mulher tem dupla jornada”, afirmou.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que mulheres dedicam mais horas semanais do que homens aos trabalhos domésticos e ao cuidado de pessoas, tema frequentemente citado em debates sobre desigualdade na divisão das tarefas familiares.

A proposta em análise na Câmara dos Deputados prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. O relatório apresentado por Leo Prates (Republicanos-BA) estabelece um período de transição de até 14 meses após a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Pelo texto, a mudança começaria a produzir efeitos 60 dias após a aprovação, com redução inicial de duas horas na jornada e adoção da escala 5×2. As demais horas seriam retiradas gradualmente ao longo dos meses seguintes.

Durante o evento em Manaus, Lula também voltou a abordar o combate à violência contra mulheres e afirmou que o governo pretende ampliar ações sobre o tema. “Quem bater em mulher saiba que será preso. Se não está contente com a mulher, vai embora. O que não dá é para o homem achar que é dono da mulher”, disse.

Em outro momento do discurso, o presidente também adotou tom político ao afirmar que parte das dificuldades enfrentadas pelo país está ligada à atuação de gestores que, segundo ele, não possuem compromisso com a população mais pobre.



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