A Polícia Federal (PF) aponta que a empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, sogra do vice-governador de Goiás Daniel Vilela, teria atuado na coordenação de um esquema internacional de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
Ela foi presa em Goiânia na quinta-feira (7), durante operação contra organizações suspeitas de promover travessias clandestinas pela América Central.
Segundo a investigação, o grupo oferecia um “pacote completo” para entrada ilegal em território norte-americano, incluindo compra de passagens aéreas, articulação com coiotes, suporte logístico e assistência jurídica para imigrantes detidos durante o trajeto.
De acordo com a PF, cada brasileiro pagava cerca de US$ 20 mil para realizar a travessia. Os investigadores estimam que ao menos 477 pessoas tenham sido levadas ilegalmente aos Estados Unidos entre 2018 e 2023, embora o número real possa ser maior. Apenas o núcleo atribuído a Maria Helena teria participado da migração clandestina de 155 pessoas.
As apurações indicam que o esquema operava de maneira estruturada há mais de duas décadas, com ramificações em diferentes estados brasileiros e também no exterior. Integrantes da organização seriam responsáveis pela recepção dos migrantes, transporte, intermediação financeira e travessias por países como México e Panamá.
Quebras de sigilo telefônico e bancário apontam que os cinco grupos investigados movimentaram aproximadamente R$ 240 milhões no período analisado. Segundo a PF, cerca de R$ 45 milhões teriam passado pelo núcleo ligado à empresária.
A investigação começou em 2022, após brasileiros serem abordados no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Durante os depoimentos, o nome de Maria Helena foi citado pelos migrantes.
Áudios obtidos pela TV Anhanguera e incorporados ao inquérito mostram a investigada relatando experiência em conseguir a liberação de brasileiros presos nos Estados Unidos durante tentativas de travessia ilegal.
“Eu consigo tirá-los. Tiro, sempre tiro”, afirma em uma das gravações atribuídas à empresária.
Em outra conversa, ela orienta familiares de um migrante detido a não pressionarem os responsáveis pela travessia para evitar que o grupo fosse entregue às autoridades de imigração.
A PF também identificou comprovantes de transferências bancárias associadas ao pagamento das viagens. Segundo os investigadores, a organização custeava despesas iniciais, como passagens aéreas, que posteriormente eram cobradas dos migrantes.
Os investigados poderão responder por promoção de migração ilegal, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Somadas, as penas podem ultrapassar 20 anos de prisão.
Além das prisões realizadas em Goiânia, dois suspeitos apontados como líderes de outros núcleos criminosos seguem foragidos no Amapá e foram incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol.
Em nota, a defesa de Maria Helena afirmou que recebeu a prisão com “surpresa” e classificou a medida como desnecessária. Os advogados sustentam que não há elementos para justificar a prisão preventiva e afirmam aguardar acesso integral ao processo.
Já Vilela declarou que o caso não possui qualquer relação com ele, sua esposa ou o Governo de Goiás. Segundo o vice-governador, os fatos investigados remontam aos anos 2000 e antecedem sua atuação no atual mandato.