O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro comentou nesta segunda-feira (13) a detenção do ex-diretor da Abin e ex-deputado federal Alexandre Ramagem em Orlando, nos Estados Unidos. Ramagem foi levado por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) e encaminhado a um centro de detenção em razão de uma situação migratória.
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Nas redes sociais, Eduardo afirmou que o episódio não se trata de prisão criminal. “Não há crime envolvido”, escreveu o ex-parlamentar, ao sustentar que o caso tem natureza administrativa.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro também voltou a atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, dizendo que haveria perseguição política em curso. Ele ainda citou manifestações atribuídas ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump e a integrantes do Departamento de Estado norte-americano ao defender que Ramagem seja liberado o quanto antes.
Segundo Eduardo, o ex-diretor da Abin não estaria preso, mas apenas “detido”, e mantém expectativa de seguir em liberdade enquanto tramita o pedido de asilo nos Estados Unidos.
Ramagem está no território norte-americano desde setembro de 2025. Ele teve o passaporte diplomático cancelado após a cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados, em dezembro do mesmo ano.
O ex-parlamentar foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão em um processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. De acordo com a Polícia Federal, ele deixou o Brasil de forma irregular, atravessando a fronteira com a Guiana, e passou a ser considerado foragido.
A detenção nos Estados Unidos também gerou divergência entre autoridades e aliados políticos. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, afirmou que o caso teria relação com uma infração de trânsito e criticou a versão apresentada pela Polícia Federal.
“Não é uma prisão, é uma detenção, prática muito comum nos Estados Unidos”, disse. Ele acrescentou que Ramagem estaria em processo de solicitação de asilo e que poderia dirigir com habilitação brasileira enquanto o pedido não fosse concluído.
Já o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que a detenção decorre de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao crime organizado, destacando que Ramagem é considerado foragido da Justiça brasileira e estava em situação migratória irregular.