O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, recebeu cerca de R$ 8 milhões do Banco Master, segundo investigações da própria autoridade monetária divulgadas pelo O Globo.
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Já o ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), Belline Santana, recebeu ao menos R$ 4 milhões.
Os dois são investigados por atuarem em favor do banco dentro do Banco Central. De acordo com a Polícia Federal, ambos teriam sido cooptados pelo banqueiro Daniel Vorcaro e recebiam valores para atuar como consultores informais da instituição.
O valor atribuído a Paulo Sérgio é superior ao de Belline por sua posição no BC e pelo tempo de envolvimento no esquema.
Segundo as apurações, Paulo Sérgio teria simulado a venda de uma fazenda para um fundo ligado a Vorcaro.
Belline, por sua vez, criou uma empresa para prestação de serviços de capacitação. A firma foi aberta em julho de 2025, meses antes da liquidação do Banco Master.
A empresa foi registrada no endereço residencial do ex-servidor, com telefone informado à Receita Federal que não existe.
Em depoimento à sindicância do Banco Central, Belline relatou que recebeu proposta inicial de R$ 2 milhões de Leonardo Palhares, apontado como operador de Vorcaro. Segundo ele, houve dois pagamentos de R$ 500 mil em 2023.
As investigações indicam que os dois atuavam como consultores informais dentro do BC, repassando informações e auxiliando na elaboração de pareceres que seriam posteriormente analisados por eles mesmos.
Em março, a Controladoria-Geral da União abriu processos administrativos para avaliar a possível expulsão dos servidores do serviço público.