As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram nesta segunda-feira (2) a morte de Hussein Makled, apontado como chefe do quartel-general de inteligência do Hezbollah, em ataque realizado durante a noite em Beirute.
Segundo os militares israelenses, Makled era responsável por estruturar a área de inteligência do grupo e por “formar o quadro de inteligência usando várias ferramentas de coleta de informações para fornecer à organização terrorista Hezbollah avaliações de inteligência sobre as tropas das Forças de Defesa de Israel e o Estado de Israel”.
Ainda de acordo com o Exército, “Ele também cooperou estreitamente com altos comandantes do Hezbollah que planejaram e executaram ataques terroristas contra Israel e seus cidadãos”.
O ataque ocorreu horas depois de o Hezbollah, apoiado pelo Irã, lançar foguetes e drones contra Israel. O grupo afirmou que a ofensiva foi uma retaliação à morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, ocorrida no início da operação conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã no sábado (28).
Em resposta, Israel realizou uma série de bombardeios no Líbano, incluindo alvos na capital.
Líbano proíbe atividades militares do Hezbollah
Após reunião de gabinete, o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, declarou que o país rejeita ações militares realizadas a partir de seu território “fora da estrutura de suas instituições legítimas”.
Segundo ele, isso “exige a proibição imediata de todas as atividades militares e de segurança do Hezbollah, por serem ilegais, e obriga o grupo a entregar suas armas ao Estado libanês”.
Salam também determinou que as Forças Armadas e os órgãos de segurança adotem “medidas imediatas” para impedir “qualquer operação militar ou o lançamento de mísseis ou drones a partir do território libanês”.
O presidente Joseph Aoun reforçou que “a decisão sobre a guerra e a paz cabe exclusivamente ao Estado libanês”.
Apesar dos apelos, o Hezbollah avançou com os ataques. Foi a primeira vez que o grupo disparou contra Israel desde a entrada em vigor do cessar-fogo mediado pelos EUA, em novembro de 2024.
Ameaças de Israel
Após os disparos, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o líder do Hezbollah, Naim Qassem, tornou-se “um alvo prioritário para eliminação”.
Katz declarou que Israel enviará Qassem “para as profundezas do inferno”, assim como fez com Khamenei.
O porta-voz das IDF, brigadeiro-general Effie Defrin, afirmou que “O Hezbollah abriu fogo. Optou por iniciar uma campanha. Pagará um preço alto”.
Segundo Defrin, Israel atacou dezenas de centros de comando e locais de lançamento de foguetes no Líbano, além de comandantes do grupo. Ele informou que novos ataques estão previstos no sul do país, onde foram emitidos alertas de evacuação para dezenas de vilarejos.
Mortos e deslocamento
O Ministério da Saúde do Líbano informou que ao menos 31 pessoas morreram nos bombardeios israelenses desde a madrugada de segunda-feira. O governo não diferenciou civis de integrantes do Hezbollah.
Autoridades libanesas anunciaram a abertura de abrigos em escolas de Beirute, no sul do país e na região do Monte Líbano. Na cidade de Sidon, centenas de veículos deixavam o sul em direção ao norte, após os alertas de evacuação.
A escalada ocorre em meio à guerra iniciada no sábado, após ataques conjuntos de Israel e Estados Unidos contra alvos no Irã.