O vice-secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou neste sábado (9) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é responsável por “destruir” a relação histórica entre Brasil e EUA. Em postagem no X, Landau acusou Moraes de usurpar “poderes ditatoriais” ao ameaçar líderes de outros poderes e suas famílias com prisão ou outras penalidades, sem citá-lo diretamente. A declaração ocorre um dia após o Itamaraty convocar o encarregado de negócios americano, Gabriel Escobar, para expressar “indignação” com comentários do governo e da embaixada dos EUA, considerados ingerência em assuntos internos do Brasil.
Landau criticou a concentração de poder nas mãos de um único juiz, afirmando que a separação de poderes é uma “garantia de liberdade” e que Moraes, ao tentar aplicar a lei brasileira extraterritorialmente, prejudicou a relação bilateral. Ele classificou a situação como “inédita e anômala” por envolver um magistrado que, segundo ele, se esconde “sob o manto do Estado de Direito”. As tensões entre os dois países se intensificaram após sanções americanas contra Moraes, impostas via Lei Magnitsky, e tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, em resposta a processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, réu no STF por tentativa de golpe de Estado.
O Itamaraty, em resposta às declarações americanas, reforçou sua posição de repúdio às ameaças contra autoridades brasileiras. A convocação de Escobar, a quarta desde o início do governo Trump, reflete o mal-estar diplomático, agravado por postagens da embaixada dos EUA que acusam Moraes de censura e perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores. Enquanto o governo brasileiro defende a soberania nacional e a independência do Judiciário, as críticas de Landau sinalizam um impasse na relação bilateral, com o diplomata pedindo um precedente histórico para o que descreve como um juiz controlando o destino de uma nação.
Fonte: Folha de São Paulo