Após os recentes ataques dos Estados Unidos e Israel a instalações nucleares iranianas, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) publicou em suas redes sociais uma foto ao lado do presidente norte-americano Donald Trump e do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. A imagem, postada em 22 de junho de 2025, foi interpretada como um claro gesto de alinhamento com a política externa de Washington e Tel Aviv, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio. O movimento de Bolsonaro ocorre no momento em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condena os ataques, classificando-os como uma “ameaça à vida” e defendendo a soberania do Irã.
A publicação de Bolsonaro reforça sua postura de apoio às ações militares de Israel e dos EUA, que, segundo autoridades americanas, visaram neutralizar o programa nuclear iraniano, destruindo instalações estratégicas como Fordow, Natanz e Isfahan. Enquanto Trump celebrou os ataques, afirmando que os alvos foram “totalmente obliterados”, o Itamaraty, sob orientação de Lula, criticou a ofensiva, alinhando-se a países como China, Rússia e Paquistão, que também condenaram as ações. A foto publicada por Bolsonaro, portanto, não apenas endossa a posição dos EUA e de Israel, mas também marca um contraste direto com a política externa do atual governo brasileiro, que busca manter uma postura de não alinhamento automático.
O gesto do ex-presidente também reflete a polarização política no Brasil, onde questões internacionais têm sido usadas para demarcar diferenças ideológicas. Bolsonaro, que governou o país entre 2019 e 2022 e mantém uma base fiel de apoiadores, utiliza a imagem para reafirmar sua proximidade com lideranças conservadoras globais, como Trump e Netanyahu. A escolha de publicar a foto em um momento de crise internacional sugere uma tentativa de capitalizar politicamente o conflito, projetando-se como um defensor de uma postura mais assertiva contra o Irã, em oposição à diplomacia de Lula, que prioriza a desescalada e o diálogo.
Enquanto o governo Lula enfrenta críticas internas por sua posição, vista por alguns como alinhamento com regimes autoritários, Bolsonaro busca reforçar sua narrativa de alinhamento com potências ocidentais. A publicação da foto, amplamente comentada em redes sociais, reacende o debate sobre o papel do Brasil no cenário global e expõe as divisões entre o bolsonarismo e o lulismo em temas de política externa. À medida que o conflito entre Israel e Irã se intensifica, a postura de Bolsonaro pode atrair apoio de setores conservadores no Brasil, mas também reforça a percepção de que sua atuação segue voltada para a polarização, mesmo fora do cargo.
Fonte: Revista Oeste