A juíza Lilian Moreno, responsável por anular a ordem de captura contra o ex-presidente Evo Morales por abuso de uma menor durante seu mandato, foi presa pela polícia boliviana em Santa Cruz de la Sierra na manhã desta segunda-feira, 5.
A ordem foi expedida pelo promotor da Promotoria Especializada em Anticorrupção, Legitimação de Ganhos Ilícitos e Crimes Tributários e Aduaneiros de La Paz, Fernando Espinoza, por descumprimento da lei.
Apesar de ter aceitado o habeas corpus impetrado pela defesa de Morales, a decisão já foi revertida por outro magistrado. Com isso, o ex-presidente boliviano ainda responde aos processos.
Investigação
Na sexta, 2, o Conselho Judicial da Bolívia iniciou um investigação disciplinar contra a juíza Lilian Moreno.
O presidente do Poder Judiciário, Manuel Baptista, afirmou que foi determinada uma revisão da ordem constitucional emitida pela magistrada. Segundo ele, Moreno poderia ter violado a lei boliviana.
“Evidentemente, e em relação à atuação da autoridade judiciária, se foi tomada uma decisão contrária à lei, é necessário investigá-la e eventualmente sancioná-la ”, afirmou.
Morales criticou a decisão de investigar a juíza que anulou a sua ordem de captura.
“Em vez de apoiar e aplaudir os administradores da justiça que apenas aplicam a lei, as mais altas autoridades judiciais prevaricam, desrespeitam a independência dos juízes e antecipam sanções e sentenças através da imprensa“, disse.
Mandado
No ano passado, o Ministério Público ordenou a prisão do cocalero por abuso de uma menor durante seu mandato.
Morales foi acusado de ter tido um filho com uma adolescente em 2017.
Ela tinha entre 14 e 16 anos na ocasião.
Com medo de ser preso, o ex-presidente não sai da região do Trópico de Cochabamba desde outubro do ano passado.
Ele conta com a proteção de plantadores de coca, base de sua influência política e sindical.
Fonte: O Antagonista