O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prisão domiciliar à manicure Eliene Amorim de Jesus, ré pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Após dois anos detida no presídio de Pedrinhas, no Maranhão, Eliene deixou a prisão neste sábado, 5 de abril de 2025, conforme decisão que substituiu sua prisão preventiva. A medida foi anunciada após grande repercussão do caso, que levantou debates sobre a situação dos acusados nos episódios que marcaram a tentativa de desestabilização das instituições democráticas.
A decisão de Moraes impõe condições rigorosas à manicure, como o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de utilizar redes sociais e de se comunicar com outros envolvidos nos atos, além de vedar entrevistas sem autorização do STF. Eliene, que é missionária, foi apontada como participante dos eventos de 8 de janeiro, mas sua defesa e apoiadores argumentam que sua prisão prolongada seria desproporcional, dado o contexto de sua participação. O caso ganhou destaque em meio a críticas sobre a condução dos processos relacionados aos ataques, com alguns questionando a individualização das penas e a duração das prisões preventivas.
A saída de Eliene Amorim de Jesus da cadeia reflete um movimento recente do STF em reavaliar a situação de alguns réus do 8 de janeiro, especialmente após recomendações da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro Moraes, que tem liderado as investigações sobre os episódios, segue equilibrando a aplicação de medidas cautelares com a pressão pública por revisões nos casos. A concessão da prisão domiciliar, embora vista como um alívio por parte da família e defensores de Eliene, mantém o rigor judicial sobre os acusados, enquanto o debate sobre justiça e proporcionalidade continua a dividir opiniões no Brasil.