Em cinco anos de investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, vários nomes surgiram como tendo algum tipo de ligação com o crime. No capítulo mais recente, com a operação Élpis, o ex-sargento do Corpo de Bombeiros, Maxwell Simões Correa, o Suel, foi preso. Para além dos principais envolvidos, há pelo menos três mulheres que constam na lista de investigados por orbitarem no universo dos suspeitos ou por obstrução de justiça. São elas: Aline Siqueira de Oliveira, Elaine Pereira Figueiredo Lessa e Alessandra da Silva Farizote.
A esposa do ex-bombeiro Maxwell Simões, preso por suspeita de participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, também é investigada pela Polícia Federal. Em relatório recente da PF, Aline Siqueira de Oliveira, de 41 anos, é apontada como suspeita de “lavar dinheiro de recursos ilícitos recebidos por seu marido”. Ela também teria encontrado Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa na noite do crime, após as execuções. Apesar de não ter carteira assinada há mais de 7 anos, ela apresenta uma grande movimentação financeira em sua conta bancária. Uma Land Rover que está no nome dela foi avaliada em mais de R$ 160 mil.
O último emprego de Aline data de novembro 2015, quando ela trabalhou em uma loja de sapatos. O salário médio dela à época foi de R$ 2.385. Chamou atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que, entre setembro do ano passado e fevereiro deste ano, Aline fez uma transferência de R$ 213 mil para comprar a Land Rover. O valor foi superior à avaliação porque o veículo é blindado. Ela enviou o dinheiro para uma empresa do ramo de leilões. No documento, o órgão pontua que Aline não tem “capacidade financeira para fazer um pagamento de valor expressivo como este”.
No documento, o Coaf também destaca que Aline recebeu mais de R$ 56 mil em diversas transferências feitas por Suel entre março de 2019 e outubro de 2021. Ela é procuradora do marido desde junho de 2020 e seria responsável por resolver suas questões financeiras.
De acordo com a PF, Suel teria ficado responsável pelos negócios ilícitos de Lessa depois que ele foi preso. Eles integravam milícia em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio, onde os dois recebiam dinheiro com serviço de gatonet. A informação foi compartilhada por Élcio de Queiroz em delação feita à Polícia Federal.
Esposa de Ronnie Lessa, Elaine chegou a ser presa na operação Submersus, da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio, em outubro de 2019. Ela foi detida após a Delegacia de Homicídios e o Gaeco investigarem que ela teria comandado a ação para dar sumiço às armas do marido para apagar qualquer tipo de prova que pudesse incriminá-lo. Ela foi condenada a quatro anos de prisão pelo crime de obstrução de justiça.