Advogado denuncia perseguição de Moraes e PF por críticas

O advogado Paulo Faria publicou no X ofício sigiloso, de 23 de outubro de 2025, em que a Polícia Federal solicitou a Alexandre de Moraes ordem para a preservação de mensagens em que Faria criticou publicamente nas redes sociais a atuação de agentes da PF contra sua cliente, a brasileira naturalizada americana Flávia Magalhães.

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Segundo ele, a PF também pediu informações sobre a data de acesso de Faria aos autos referentes a Flávia, acusada por Moraes de incitação ao crime e associação criminosa, por repostar notícia de que o ministro teria visitado o narcotraficante Marcola na prisão.

“O que antes eu denunciava publicamente ganha uma dimensão ainda mais grave com a revelação de documentos sigilosos da Polícia Federal, encaminhados diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, no âmbito da PET 11.548, relacionada ao caso de minha cliente Flávia Magalhães, cidadã norte-americana. Em 23 de outubro de 2025, por meio do Ofício nº 4134827/2025, a Polícia Federal solicitou a Moraes que informasse a data em que eu, advogado Paulo Faria, havia tido acesso aos autos, caso isso tivesse ocorrido.E por qual motivo? O próprio documento responde: porque, em 11 de outubro de 2025, publiquei críticas a Alexandre de Moraes no X, denunciando a atuação de agentes da Polícia Federal em território norte-americano e as restrições impostas ao exercício da defesa de Flávia Magalhães. A Polícia Federal não apenas reproduziu minhas manifestações como também solicitou a preservação integral do conteúdo e dos metadados de minhas publicações no X!”

Desde que assumiu o caso de Flávia, Paulo denuncia a dificuldade de acesso aos autos, a existência de decisões sigilosas e medidas incompatíveis com as garantias constitucionais da advocacia. “Não se trata de uma discussão abstrata sobre liberdade de expressão, mas de um documento oficial, assinado por delegado da Polícia Federal, que demonstra como minhas críticas e minha atuação profissional foram levadas ao conhecimento de Alexandre de Moraes dentro de um procedimento protegido por sigilo.”

Na prática, significa que o advogado também virou alvo da investigação aberta contra sua cliente, uma violação flagrante das garantias constitucionais da advocacia. “Desde quando questionar um ministro do Supremo Tribunal Federal e denunciar possíveis abusos contra uma cliente justificam tamanho escrutínio sobre o advogado? Certamente há algum inquérito sigiloso contra mim, e até ordem de prisão”, escreveu.

Paulo alega que, em novembro de 2025, identificou a possível ação de agentes próximos de sua casa, assim como tentativas de acesso a dispositivos eletrônicos e ligações não identificáveis em seu celular. Ele explica que, em função dessas suspeitas e por medo de ser preso, deixou o país. “Minha saída do Brasil não foi um capricho, tampouco uma decisão tomada sem razões concretas. Ela foi, sem qualquer dúvida, motivada pelo temor de sofrer represálias em razão de minha atuação como advogado, jornalista e crítico de Alexandre de Moraes, o ditador de araque.”

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