A Polícia Federal (PF) pediu a prorrogação de dois inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula (PT). Os investigadores afirmam que o prazo inicial de 60 dias não foi suficiente para concluir as apurações e solicitaram novas diligências para esclarecer possíveis relações com contratos e negócios no governo federal.
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Os pedidos foram registrados em 2 de outubro e encaminhados ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos casos. Até esta terça-feira (20), não havia decisão autorizando a extensão do prazo. Os processos estão paralisados na Presidência da Corte desde setembro, em meio a uma indefinição sobre a distribuição dos casos relacionados às investigações do Banco Master e dos descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, decida sobre os procedimentos pendentes. Mendonça já havia enviado um ofício a Fachin no fim de setembro para pedir uma definição sobre o retorno dos casos ao seu gabinete.
PF quer rastrear viagens, movimentações financeiras e contratos
Entre as diligências solicitadas estão relatórios sobre as relações e a atuação de Lulinha, da lobista Roberta Luchsinger e do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. A PF também pretende levantar informações sobre participações societárias, movimentações bancárias e registros de agendas e reuniões dos investigados em órgãos públicos federais.
Os investigadores pediram ainda dados sobre viagens nacionais e internacionais realizadas por Lulinha, incluindo a identificação de quem custeou os deslocamentos e quais deles tiveram a companhia de Roberta.
As apurações também abrangem outros nomes, entre eles o empresário Fernando Bittar e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência da República.
A PF sustenta que os resultados das medidas pendentes são necessários para esclarecer os fatos e avaliar a necessidade de novas providências.
Investigações envolvem Ministério da Saúde e contratos federais
Uma das frentes apura uma possível participação de Lulinha e Roberta na intermediação de um contrato relacionado à cannabis medicinal no Ministério da Saúde.
A outra investigação examina suspeitas de intermediação de negócios no governo federal em benefício do empresário de tecnologia Cléber Ribas. Empresas ligadas a ele obtiveram contratos com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
As suspeitas envolvendo Lulinha vieram à tona durante as investigações da Operação Sem Desconto, que apura irregularidades em benefícios do INSS. Há ainda um terceiro inquérito sobre o filho do presidente, sob relatoria do ministro Flávio Dino, que investiga a relação entre Lulinha, Roberta e Marcola, além de um possível vazamento de dados federais.
Defesas contestam continuidade das apurações
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, criticou a iniciativa da PF e afirmou que os investigadores estariam tentando encontrar elementos para justificar a continuidade dos procedimentos.
“Não acharam absolutamente nada e agora estão tentando achar provas para justificar a apuração”, declarou ao UOL. O advogado classificou as diligências como “pesca probatória” e defendeu que não existem elementos que justifiquem a manutenção das investigações.
A defesa de Roberta Luchsinger também questionou a continuidade dos inquéritos. O advogado Roberto Podval afirmou que, após um ano de apurações, não houve avanços que justificassem a permanência dos procedimentos.
“Me parece que o caminho natural seria o arquivamento”, disse Podval, que também apontou possível utilização política das investigações.
