A Meta reconheceu falhas técnicas em ferramentas e serviços usados durante a campanha presidencial, mas negou ter favorecido o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou prejudicado o presidente Lula (PT). Em nota divulgada nesta sexta-feira (16), a empresa afirmou que os episódios tiveram causas específicas e não representam interferência política na eleição.
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Um dos casos envolve a Meta AI, ferramenta de inteligência artificial da companhia. Em 14 de outubro, usuários identificaram que o sistema gerava cartazes com o nome de Flávio e o número 22, mas recusava pedidos semelhantes com referências a Lula e ao número 13.
A empresa atribuiu o comportamento a uma brecha nos mecanismos de proteção, que bloqueavam solicitações com os nomes completos dos candidatos, mas não reconheciam todas as combinações entre primeiros nomes e números eleitorais. Segundo a Meta, a falha foi corrigida no mesmo dia.
A companhia afirmou que bloqueou temporariamente a possibilidade de sua inteligência artificial recomendar candidatos ou gerar imagens deles no Brasil, como medida para cumprir as regras eleitorais. Também argumentou que proibir isoladamente nomes comuns, como “Flávio” e “Luiz”, poderia impedir a criação de imagens sem relação com política.
A Meta negou que o episódio indique favorecimento eleitoral e declarou que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdo com base em ideologia política.
TSE impõe regras para distribuição de conteúdo
Na quinta-feira (15), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Meta assegure tratamento igualitário às candidaturas de Lula e Flávio até o fim do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O descumprimento pode resultar em multa diária de R$ 500 mil.
A decisão impede a plataforma de reduzir de maneira desigual a distribuição de publicações, limitar recomendações ou restringir resultados de buscas relacionados aos candidatos. Também estabelece condições para desativar contas de anúncios e restringir impulsionamentos, incluindo revisão humana das medidas automáticas nos prazos determinados pela Justiça.
A ordem foi tomada após a campanha de Lula acionar o tribunal e alegar que a empresa vinha prejudicando a entrega de suas publicações. Bellizze ressaltou, porém, que os elementos apresentados até aquele momento não eram suficientes para concluir que houve manipulação deliberada da distribuição de conteúdo para beneficiar ou prejudicar uma candidatura.
A Meta informou que apresentou explicações técnicas à Justiça Eleitoral e contestou as acusações de tratamento desigual.
Conta de anúncios de Lula foi suspensa por engano
A empresa também reconheceu que desativou por engano a conta de anúncios da campanha de Lula em 23 de setembro. Segundo a nota, a suspensão durou pouco mais de uma hora e ocorreu depois que um anúncio foi classificado incorretamente como possível tentativa de se passar por um programa social do governo.
A Meta relacionou o erro a uma análise antifraude adotada no contexto de um acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU) para combater golpes envolvendo programas federais. A companhia afirmou que os perfis oficiais da campanha no Facebook e no Instagram não foram bloqueados.
Outro problema foi registrado em 7 de outubro, quando uma falha global afetou a contagem de visualizações de vídeos e Reels por aproximadamente cinco horas. A empresa disse que o incidente atingiu criadores em mais de cem países, mas não interrompeu a distribuição dos conteúdos. Segundo a Meta, a campanha de Flávio também comunicou o problema.
Em 9 de outubro, uma atualização de código provocou outra falha global, que impediu temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram.
