O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou nesta terça-feira (13) que o presidente Lula (PT) participará dos debates do segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo o dirigente, o petista quer confrontar diretamente o adversário e apresentar aos eleitores as diferenças entre os dois projetos políticos.
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“Ele quer o confronto direto com Flávio. Ele quer mostrar ao povo brasileiro o que Flávio representa. Portanto, ele estará nos debates, sim”, declarou Edinho em entrevista à rádio CBN.
A posição contrasta com a estratégia adotada por Lula no primeiro turno, quando o presidente não participou de nenhum debate. Em setembro, Edinho havia atribuído a ausência do petista a uma avaliação estratégica e às características do formato dos programas televisivos, que, segundo ele, não favoreciam a participação do candidato.
Na ocasião, o dirigente também mencionou a pulverização das candidaturas e o nível da campanha eleitoral como fatores que pesaram na decisão.
O primeiro confronto entre Lula e Flávio no segundo turno, previsto para o último fim de semana na Record, foi cancelado por problemas de agenda dos candidatos. Com a mudança de estratégia anunciada pelo PT, a expectativa é de que os dois participem dos encontros previstos para a reta final da disputa.
O debate da Band está marcado para domingo (18), às 20h. Outro confronto deve ocorrer na TV Globo em 23 de outubro, por volta das 21h50, na antevéspera da votação, prevista para o dia 25. O encontro organizado por um grupo de emissoras formado por SBT, RedeTV! e CNN Brasil, previsto inicialmente para o dia 15, também pode ser cancelado.
No primeiro turno, Flávio terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista.
Edinho admite falhas na campanha
Na mesma entrevista, Edinho reconheceu problemas na organização da campanha de Lula no primeiro turno. Entre as falhas citadas estão a produção de materiais eleitorais e a falta de coordenação entre os diretórios estaduais do PT.
Segundo o dirigente, a decisão de descentralizar a gestão e ampliar a autonomia das estruturas regionais não produziu o resultado esperado. A estratégia buscava agilizar respostas a demandas locais, mas acabou prejudicando a articulação nacional.
“É evidente que tivemos falhas, principalmente na produção de materiais no 1º turno”, afirmou.
Edinho também considerou legítimas as cobranças feitas por Lula após o resultado eleitoral e disse que a campanha trabalhou para corrigir os problemas. O presidente havia classificado a organização da atual disputa como a pior desde 1989, durante uma reunião com jovens congressistas do partido, em 7 de outubro.
O dirigente petista reconheceu ainda que faltou diálogo com setores políticos que apoiaram Lula no segundo turno de 2022. Segundo ele, o governo concentrou esforços na reconstrução de políticas públicas e deixou em segundo plano a interlocução com parte desses aliados.
PT aposta em confronto sobre propostas
Edinho afirmou que Lula pretende usar os debates para contrastar suas propostas com as de Flávio. Na entrevista, o presidente do PT criticou posições atribuídas ao candidato do PL sobre o salário mínimo, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o Sistema Único de Saúde (SUS) e o fim da escala de trabalho 6×1.
O dirigente também fez acusações contra Flávio relacionadas à segurança pública no Rio de Janeiro e à condecoração concedida a um dos condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco.
