A nova composição do Senado alterou a correlação de forças em torno das pautas que envolvem o Supremo Tribunal Federal (STF). A partir de fevereiro de 2027, o PL terá 28 cadeiras na Casa, depois de eleger 19 dos 54 senadores neste domingo (4). Levantamentos publicados após a eleição apontam que ao menos 49 senadores defendem o impeachment de ministros do Supremo.
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A avaliação de integrantes do STF, segundo apuração da Folha de S.Paulo, é de que existe risco de avanço de processos contra ministros já no primeiro semestre de 2027. Interlocutores da Corte também defendem uma aproximação com parlamentares do PL considerados mais moderados.
O cenário coloca a eleição da Mesa do Senado, prevista para fevereiro, no centro das articulações. O presidente da Casa exerce papel relevante na tramitação de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
A própria legislação sobre o procedimento passou por disputa jurídica recente. A Lei 1.079/1950 regulamenta os crimes de responsabilidade e o processo de impeachment. Em 2025, uma decisão de Gilmar Mendes estabeleceu exigência de dois terços do Senado para o recebimento de denúncias contra ministros do STF. A mudança é alvo de questionamentos de senadores.
Quem chega ao Senado pela direita
O resultado eleitoral levou ao Senado nomes ligados ao PL, ao Novo e ao Republicanos, além de parlamentares de partidos de centro-direita. Entre os eleitos identificados com a direita estão:
Acre
- Marcio Bittar (PL)
- Mara Rocha (Republicanos)
Amazonas
Distrito Federal
- Michelle Bolsonaro (PL)
- Bia Kicis (PL)
Espírito Santo
- Evair de Melo (Republicanos)
Goiás
- Gustavo Gayer (PL)
- Gracinha Caiado (União)
Maranhão
Mato Grosso
- Zé Medeiros (PL)
- Mauro Mendes (União)
Mato Grosso do Sul
- Reinaldo Azambuja (PL)
- Capitão Contar (PL)
Minas Gerais
Pará
Paraná
- Filipe Barros (PL)
- Deltan Dallagnol (Novo)
Rio de Janeiro
- Carlos Portinho (PL)
- Carlos Jordy (PL)
Rio Grande do Norte
- Styvenson Valentim (Podemos)
Rio Grande do Sul
- Sanderson (PL)
- Marcel van Hattem (Novo)
Rondônia
- Dr. Fernando Máximo (PL)
- Bruno Scheid (PL)
Roraima
Santa Catarina
- Carol de Toni (PL)
- Carlos Bolsonaro (PL)
São Paulo
- Guilherme Derrite (PP)
- André do Prado (PL)
Tocantins
A lista considera partidos e nomes identificados com a direita ou com a centro-direita. O Senado elegeu, ao todo, 54 parlamentares para mandatos até 2035. A lista oficial do Senado confirma os resultados por Estado.
PL terá maior bancada
O PL foi o partido que mais elegeu senadores na renovação de dois terços da Casa. Foram 19 novos parlamentares. Somados aos nove que já possuem mandato até 2031, a legenda chegará a 28 cadeiras em fevereiro de 2027.
O resultado inclui Michelle Bolsonaro e Bia Kicis no Distrito Federal, Carlos Bolsonaro e Carol de Toni em Santa Catarina, Deltan Dallagnol no Paraná, Gustavo Gayer em Goiás e Marcel van Hattem no Rio Grande do Sul, entre outros nomes.
O novo desenho também reúne parlamentares de centro-direita. Entre eles estão Arthur Lira (PP), Marina JHC (PSDB), Plínio Valério (PSDB), Mauro Mendes (União), Gracinha Caiado (União), Chicão (União), Guilherme Derrite (PP) e Styvenson Valentim (Podemos).
Preocupação com a Corte
A nova composição é acompanhada com atenção por integrantes do STF. Segundo a Folha, ministros avaliam que o Congresso poderá retomar propostas para limitar decisões individuais da Corte e alterar as regras para tramitação de pedidos de impeachment.
O entorno de Alexandre de Moraes também avalia os efeitos da nova composição sobre a sucessão da presidência do Supremo. Moraes é o próximo na ordem de sucessão da Corte e, pelo calendário atual, poderia assumir a presidência em setembro de 2027.
Flávio Dino também aparece entre os ministros citados nas avaliações internas relatadas pelo jornal. A preocupação envolve a possibilidade de o novo Congresso ampliar a pressão sobre ministros e pautas do STF.
Além da composição do Senado, o tribunal acompanha o resultado da eleição presidencial. Independentemente do vencedor do segundo turno, a relação entre Congresso e STF deverá permanecer entre os principais temas institucionais da próxima legislatura.
