A eleição deste domingo (4) deixou sem mandato diversos nomes tradicionais da política brasileira. Entre os derrotados estão senadores, ex-ministros, ex-governadores e políticos apontados como possíveis nomes para a sucessão do Lula;
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A lista inclui Fernando Haddad (PT), derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo de São Paulo, e João Campos (PSB), que perdeu a reeleição para o governo de Pernambuco para Raquel Lyra (PSD). Também ficaram pelo caminho Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), Gleisi Hoffmann (PT), Renan Calheiros (MDB), Randolfe Rodrigues (PT) e Ciro Nogueira (PP).
A derrota de Haddad tem peso adicional porque o ex-ministro da Fazenda era apontado dentro do PT como um dos nomes possíveis para a sucessão de Lula. Em São Paulo, Tarcísio foi reeleito no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos. Haddad terminou com 36,42%.
Haddad já havia sido derrotado por Tarcísio na eleição para o governo paulista em 2022. Também perdeu a eleição presidencial de 2018 para Jair Bolsonaro e a disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016. O resultado de 2026 amplia a sequência de derrotas eleitorais do petista.
Em Pernambuco, João Campos também deixou a disputa pelo cenário nacional após perder o governo estadual. Raquel Lyra foi reeleita no primeiro turno com 53,27% dos votos válidos.
Campos era um dos nomes de maior projeção do PSB e vinha sendo tratado como uma liderança em ascensão no Nordeste. A derrota interrompe a tentativa de ampliar sua presença no cenário nacional a partir do governo estadual.
Ex-ministras de Lula ficam fora do Senado
A disputa pelo Senado produziu algumas das principais derrotas entre políticos ligados à esquerda.
Em São Paulo, as ex-ministras de Lula Marina Silva e Simone Tebet terminaram fora das duas vagas. Guilherme Derrite (PP) recebeu 30,59% dos votos, enquanto André do Prado (PL) ficou com 29,28%. Tebet teve 19,23% e Marina, 18,12%.
As duas haviam integrado a chapa de Fernando Haddad na disputa pelo governo paulista. A diferença para a segunda vaga superou 4 milhões de votos.
A eleição também contrariou levantamentos divulgados durante a campanha. Na pesquisa Quaest de 23 de setembro, Derrite aparecia com 16%, Marina com 13%, Tebet com 12% e André do Prado com 8%.
No Paraná, Gleisi Hoffmann (PT), ex-presidente nacional do partido e ex-ministra, terminou em quarto lugar, com 13,35%. Filipe Barros (PL), com 27,25%, e Deltan Dallagnol (Novo), com 25,14%, ficaram com as duas vagas.
No Amapá, Randolfe Rodrigues (PT) não conseguiu renovar o mandato. O senador, que estava na Casa desde 2011, recebeu 18,55% dos votos. Rayssa Furlan (Podemos), com 29,98%, e Lucas Barreto (PSD), com 24,22%, foram eleitos.
Em Alagoas, Renan Calheiros (MDB), quatro vezes presidente do Senado, terminou em terceiro, com 22,25%. Arthur Lira (PP), com 28,87%, e Marina JHC (PSDB), com 28,20%, conquistaram as duas cadeiras.
O resultado também tirou do Senado Benedita da Silva (PT), no Rio de Janeiro.
Ex-governadores também ficam pelo caminho
A eleição retirou do cenário alguns nomes que já comandaram governos estaduais.
No Amazonas, o ex-governador Wilson Lima (União Brasil) terminou em quarto, com 11,84%. Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) conquistaram as vagas.
Em Mato Grosso do Sul, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) foi eleito senador. A senadora Soraya Thronicke (PSB), que buscava a renovação do mandato, terminou em quarto.
No Maranhão, Roseana Sarney também não conseguiu retornar ao Senado. Ela governou o Estado quatro vezes e ocupou uma cadeira na Casa entre 2003 e 2011.
No Ceará, Ciro Gomes (PSDB) também ficou sem mandato. O ex-governador, ex-ministro e ex-candidato à Presidência terminou derrotado na disputa pelo governo estadual.
Em Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), ex-governador, ex-senador e candidato à Presidência em 2014, terminou apenas em sétimo, com 4,06% dos votos.
Derrotas atingem nomes ligados à sucessão
O resultado eleitoral também atingiu nomes que apareciam no debate sobre a próxima geração de lideranças do campo governista.
Haddad era um dos principais nomes do PT para uma eventual sucessão de Lula. Sua derrota para Tarcísio, no entanto, deixa o partido sem uma vitória estadual no principal colégio eleitoral do país e mantém em aberto a disputa interna por espaço nacional.
João Campos também buscava consolidar uma trajetória nacional a partir do governo de Pernambuco. A vitória de Raquel Lyra no primeiro turno interrompeu esse caminho eleitoral.
No Nordeste, porém, o PT manteve governos importantes. Elmano de Freitas foi reeleito no Ceará no primeiro turno, com 53,19% dos votos.
A legenda também ampliou sua bancada na Câmara. O PT passou de 64 para 70 deputados federais eleitos. O resultado mostra que as derrotas de nomes tradicionais não significaram redução uniforme da representação petista no Congresso.
Esquerda mantém novas lideranças na Câmara
Enquanto alguns dos nomes mais antigos ficaram sem mandato, parlamentares de uma geração mais jovem conseguiram espaço.
Erika Hilton (PSOL) foi eleita com 1,59 milhão de votos em São Paulo e estabeleceu o recorde de maior votação de uma mulher para a Câmara dos Deputados. Sâmia Bomfim (PSOL) recebeu 583 mil votos e também foi eleita. Tabata Amaral (PSB) conquistou novo mandato com 476 mil votos.
O PT também ampliou sua representação na Câmara, enquanto o PL terminou a eleição com a maior bancada, com 121 deputados.
O contraste aparece sobretudo no Senado. A renovação da Casa retirou do mandato nomes que acumulavam décadas de atuação política, entre eles Renan Calheiros, Ciro Nogueira, Randolfe Rodrigues, Aécio Neves, Marina Silva, Simone Tebet e Gleisi Hoffmann.
