Na abertura do programa ALive desta sexta-feira (02), o apresentador Claudio Dantas comentou as intervenções do Judiciário, por meio do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no debate presidencial da Globo, que acabou cancelado pela emissora na noite de ontem (1º).
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“O monstro ficou grande, né, Globo? O monstro que vocês alimentaram ficou grande demais. E agora vocês não têm mais como controlá-lo. E agora? Pela primeira vez na história, um debate presidencial é censurado. Nem no regime militar a Globo foi estatizada como foi ontem. É disso que se trata”, afirmou Dantas.
“Quando o Estado diz como uma emissora de TV, não qualquer emissora, como a maior emissora de TV, maior grupo de mídia do país, quando o Estado diz a esse grupo como ele tem que fazer o jornalismo, é porque esse grupo foi estatizado. Deixou de ser um grupo de mídia privado e passou a ser um grupo de mídia estatal”, continuou o apresentador.
“É o jornalismo que garante a democracia. É o jornalismo que garante o Estado Democrático de Direito. É o jornalismo que fiscaliza as autoridades para impedir que essas autoridades abusem da autoridade, para impedir que o Estado engula a sociedade. Que o Estado fique grande demais. Que senhores e senhoras que ocupam cargos públicos fiquem grandes demais. Por isso que a imprensa chegou a ser chamada, há um tempo atrás, de quarto poder. Para equilibrar a balança”.
Segundo Dantas, quando a imprensa “se acopla ao poder”, “se alinha à narrativa do poder” e “usa e abusa do seu próprio poder, para ampliar ainda mais os poderes daqueles que não têm estatura moral para ocupar os cargos que ocupam”, ela, consequentemente, “está plantando a semente do seu próprio fim” e traindo o jornalismo, as pessoas e os “princípios basilares da democracia”.
Ainda de acordo com o jornalista, a Globo, nos últimos anos, ficou “a serviço de um sistema de poder em benefício da perseguição de um grupo político”: “Fez isso com que objetivo? Ganhar mais dinheiro da Secom? Por nojinho do Bolsonaro, do bolsonarismo?”.
“Eu fico me perguntando por que a Globo ainda não abraçou a candidatura do Flávio Bolsonaro diante de todos os abusos que nós estamos vendo”, continuou Dantas. “Diante de um sistema que está desesperado porque ele sabe que pode estar chegando ao fim, diante de um presidente que já demonstrou no passado e voltou a demonstrar que não tem a menor condição no trato da coisa pública. Os esquemas de corrupção todos voltaram, a incompetência toda voltou”.
“Nós temos uma bomba-relógio fiscal que vai explodir no colo do próximo presidente, seja ele quem for. Milhares de empresas fechando, entrando em recuperação judicial, saindo do país. E um Supremo, a cúpula do Judiciário, ocupada por senhores e senhoras que acham que a censura é um meio para se chegar ao fim”.
“A consequência daquilo lá tá aqui hoje, tá representada hoje. Vocês deveriam ter se levantado lá. Não dá mais pra justificar. ‘Ah, erramos, foi um erro, ignoramos’. Não, vocês fecharam os olhos de forma deliberada diante de um histórico da humanidade”, prosseguiu o jornalista. “Nós temos histórias brutais de civilizações inteiras destruídas desta mesma maneira, da mesma forma, do mesmo jeito. O passado tá aí pra ensinar a gente a não repeti-lo”.
Dantas disse ainda que a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) como presidente representa o “início do retorno à normalidade”: “A eleição do Flávio Bolsonaro no domingo representa, talvez, a chance de vocês, Globo, não serem estatizados definitivamente. Como aconteceu, aliás, com a Venezuela”.
“A Globo venezuelana apoiou muito tempo o [Hugo] Chávez. Depois o [Hugo] Chávez fez o quê? Fechou. E perseguiu os donos, os empresários e os jornalistas todos”, relembrou o apresentador do ALive.
“Tantos exemplos de vocês ignorando, ignorando os avisos, os alertas, ignorando a sua própria audiência, traindo a sua própria audiência, implementando essa agenda woke que, na verdade, nada mais faz do que dividir a sociedade, a mesma Globo que já foi conservadora no passado”.
“Eu espero que vocês reflitam. Nós estamos a poucas horas da eleição. […] Vocês conhecem o Flávio Bolsonaro. Vocês sabem que tipo de governo vocês, inclusive, terão. E que tipo de relação vocês terão. […] Com Lula, vocês só terão submissão”, finalizou Dantas.
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