Clubes do futebol brasileiro discutiram a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro para pressionar o governo Lula (PT) após a decisão de proibir a atuação das casas de apostas (bets) em todo o país. A informação é do jornal O Estadão.
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Segundo o jornal, a medida petista “preocupa os dirigentes principalmente pela perda de receitas de patrocínios, já que as bets estão entre as principais fontes de dinheiro do futebol brasileiro”.
A paralisação ganhou força durante uma articulação entre presidentes de clubes para esvaziar uma reunião marcada para ontem (29), em Brasília, com representantes do governo. O encontro foi cancelado depois que vários dirigentes informaram que não participariam. O movimento teve adesão até de clubes considerados próximos ao governo, como o Corinthians, clube para o qual Lula torce.
Segundo o jornal, a “ameaça de não entrar em campo tem dois objetivos”. O primeiro é “pressionar o governo a ampliar as medidas de auxílio aos clubes. Entre as propostas está uma linha de crédito com juros baixos, que já vinha sendo negociada antes da decisão sobre as bets”. O segundo é “levar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para o centro das negociações”.
Os clubes também defenderam um período de transição para o fim da publicidade das bets, caso a MP permaneça. A proposta prevê a manutenção dos contratos por 6 meses a 1 ano, para que as equipes tenham tempo de buscar novos patrocinadores e reorganizar os orçamentos.
Ontem (29), o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para participar do processo que questiona a medida provisória responsável pela proibição das bets. A entidade representa clubes e federações e tem influência da CBF. A iniciativa foi interpretada por dirigentes como um sinal de maior envolvimento da confederação nas negociações.
Uma eventual paralisação também ampliaria a pressão sobre o governo em razão do calendário do futebol brasileiro, que já está apertado até o fim do ano.
Diante da pressão de clubes e torcedores, o governo petista prepara uma linha de crédito de R$ 20 bilhões. A medida busca compensar a perda imediata de patrocínios das casas de apostas, que têm peso relevante nas receitas de equipes das Séries A e B do Brasileirão.
