O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos e Israel de terrorismo e crimes de guerra durante discurso nesta quarta-feira (23), na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Durante a fala, a delegação americana deixou o plenário.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
Pezeshkian iniciou o pronunciamento rebatendo as declarações feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira (22). O iraniano afirmou que seu país foi vítima de ataques e rejeitou a acusação de que o Irã seria responsável por ações terroristas.
“Somos nós a fonte de instabilidade? Buscamos apenas viver de forma independente”, declarou.
O presidente iraniano exibiu imagens do ex-líder supremo Ali Khamenei, morto no primeiro dia do conflito, além de fotografias de vítimas de ataques ocorridos em território iraniano. Pezeshkian atribuiu aos Estados Unidos e a Israel ataques contra civis, incluindo estudantes.
Ao defender o país, Pezeshkian afirmou que o Irã não pretende utilizar sua capacidade militar para atacar outras nações. Segundo ele, os sistemas de defesa iranianos têm como objetivo impedir novos ataques ao território nacional.
“Para defender nosso país, não buscamos a permissão ou a aprovação de ninguém”, afirmou.
Programa nuclear
Pezeshkian também voltou a defender o programa nuclear iraniano. O presidente afirmou que Teerã busca desenvolver tecnologia para fins civis e negou que o objetivo seja produzir armas nucleares.
“Buscamos energia para o progresso, não para ameaçar sociedades com armas”, disse.
A questão nuclear está no centro do conflito entre Washington e Teerã. Em seu discurso na ONU, Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão que o Irã obtenha uma arma nuclear e advertiu que poderá ampliar a ofensiva militar caso não haja um acordo.
Pezeshkian, por sua vez, afirmou que o Irã não pretende se render, mas indicou disposição para negociar. Segundo ele, Teerã aceita diálogo e diplomacia, desde que as tratativas não sejam conduzidas sob ameaça militar.
Estreito de Ormuz
O presidente iraniano também abordou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo e gás. Pezeshkian afirmou que o país não aceitará que outras nações tenham acesso à passagem enquanto o Irã enfrenta restrições e ações militares.
A declaração ocorre em meio às negociações entre Washington e Teerã sobre o fim do conflito. O governo iraniano indicou que pode reabrir o estreito caso os Estados Unidos reduzam a pressão militar e econômica contra o país.
O tema também está nas discussões diplomáticas realizadas paralelamente à Assembleia Geral. Trump afirmou que representantes americanos e iranianos participaram de uma reunião de mais de três horas em Nova York e disse esperar novos contatos entre os dois lados.
Conflito
A saída da delegação americana ocorreu um dia depois de representantes iranianos deixarem o plenário durante o discurso de Trump. Na ocasião, o presidente americano afirmou ter uma decisão a tomar entre buscar um acordo com Teerã ou ampliar a ofensiva contra o país.
O conflito entre Estados Unidos e Irã começou em 28 de fevereiro, após ataques americanos e israelenses contra o território iraniano. Desde então, Washington e Teerã mantêm confrontos militares enquanto canais diplomáticos tentam encontrar uma saída para a guerra.
