O candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) afirmou nesta segunda-feira (21) que não pretende apoiar Lula (PT) nem o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caso os dois avancem para o segundo turno da eleição de outubro.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
“Vou deixar muito claro, nós vamos para o segundo turno e eu não vou apoiar nem Lula da Silva, zero. E nem vou apoiar o Flávio Bolsonaro”, declarou Cury a jornalistas antes do debate presidencial promovido pelo Flow Podcast.
O candidato voltou a defender uma posição de distanciamento dos dois principais campos políticos e afirmou que, se eleito, pretende governar para eleitores de diferentes correntes ideológicas.
Segundo Cury, a polarização política dos últimos anos criou uma “indústria do ódio” no país. Ele citou ataques trocados entre setores da direita e da esquerda como parte desse processo.
“Faz 8 a 10 anos que a direita chama a esquerda de esquerdopata que não gosta de trabalhar, alguns dizem até que são vagabundos, que não ama a religiosidade e que não respeita a liberdade de expressão. E também ao contrário, a esquerda fala que a direita não valoriza os direitos humanos, é fascista e não se preocupa com os pobres”, afirmou.
Na avaliação apresentada pelo candidato, a continuidade desse confronto impede a construção de um projeto político que contemple os diferentes grupos. “Essa indústria do ódio destruiu a nação brasileira. E eu quero deixar muito claro, a minha proposta é para governar os dois”, disse.
Cury também afirmou que o país não suportaria a manutenção da disputa entre os dois campos. “Se nós continuarmos desse jeito, o país não suporta mais, ele não vai se desenvolver e nós vamos continuar com essa guerra de egos, essa indústria do ódio”, declarou.
A posição representa uma definição mais explícita em relação a declarações anteriores, nas quais o candidato evitava apontar qual adversário apoiaria em uma eventual segunda rodada. Em sabatina realizada pela CNN no início de setembro, Cury havia afirmado que sua própria candidatura avançaria ao segundo turno e, ao comentar uma eventual disputa contra Flávio, disse que o senador teria de apoiá-lo.
Pesquisa Quaest divulgada no mesmo dia mostrou Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, Flávio com 33% e Cury com 6%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 17 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.
