A atividade industrial brasileira perdeu força em agosto e registrou o pior resultado para o mês desde 2015, segundo a Sondagem Industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (21). O índice de evolução da produção caiu de 51 pontos, em julho, para 46,3 pontos, uma retração de 4,7 pontos.
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Na metodologia da pesquisa, resultados acima de 50 pontos indicam crescimento da produção, enquanto números abaixo dessa marca apontam redução. Com o resultado de agosto, o indicador voltou ao campo de retração.
O levantamento foi realizado entre 1º e 11 de setembro com 1.403 empresas, sendo 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes. Segundo a CNI, o desempenho também destoou do comportamento normalmente observado no mês. Desde 2015, o índice havia ficado abaixo dos 50 pontos em agosto apenas em 2025 e agora em 2026.
A utilização da capacidade instalada acompanhou o movimento. O indicador caiu 1 ponto percentual e chegou a 69%, ficando dois pontos abaixo da média registrada para os meses de agosto.
O mercado de trabalho industrial também apresentou retração. O índice de evolução do número de empregados recuou 0,4 ponto, para 48,2 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos.
Os estoques de produtos finais diminuíram na passagem de julho para agosto. O indicador caiu 1,5 ponto, de 51 para 49,5 pontos. Mesmo assim, a relação entre o estoque efetivo e o planejado permaneceu próxima da estabilidade, com alta de 0,2 ponto, para 50,4 pontos.
Intenção de investimento recua pelo quarto mês seguido
A disposição das empresas industriais para realizar novos investimentos também diminuiu. O índice de intenção de investimento passou de 52,6 pontos em agosto para 51,3 pontos em setembro, queda de 1,3 ponto.
O resultado é o menor desde agosto de 2020, período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19. Foi ainda a quarta queda consecutiva do indicador, que acumula recuo de 3,5 pontos desde maio.
Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a redução está relacionada à perda de ritmo da atividade e ao aumento das incertezas enfrentadas pelas empresas.
As expectativas para os próximos meses também pioraram em setembro. O índice de demanda por produtos caiu 1,4 ponto, para 51,2 pontos, enquanto a expectativa de compra de insumos e matérias-primas recuou 0,8 ponto, para 50,4 pontos. Ambos permanecem acima de 50 pontos, mas indicam uma perspectiva de crescimento mais moderada.
Já as projeções para exportações e emprego ficaram abaixo da linha de 50 pontos. A expectativa sobre a quantidade exportada caiu 0,6 ponto, para 48,9 pontos, enquanto a previsão para o número de empregados recuou 0,2 ponto, para 49,2 pontos.
Cenário de confiança segue negativo
Os resultados da Sondagem Industrial ocorrem em um ambiente de confiança reduzida entre os empresários. Na pesquisa divulgada pela CNI em setembro, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu 1,4 ponto, para 44,9 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos pelo 21º mês consecutivo.
A CNI também apontou que os juros elevados continuam pressionando a operação das empresas industriais. Em levantamento sobre crédito e custos financeiros, mais da metade das empresas consultadas afirmou esperar maior necessidade de recursos para financiar contas a pagar, enquanto 57% projetaram redução da margem líquida.
