O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino proibiu nesta manhã (10) a Go Up Entertainment, de Karina Gama, de licitar e contratar com o Poder Público em “qualquer esfera federativa”. A empresa é responsável pela produção de Dark Horse, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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A decisão foi tomada no âmbito da operação da Polícia Federal (PF), deflagrada hoje, que investiga a suspeita de desvio de emendas parlamentares para o financiamento do longa. Karina foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta (10), assim como o deputado federal Mário Frias (PL-RJ), produtor executivo e roteirista do filme.
Segundo a PF, movimentações financeiras da Go Up chamaram a atenção por coincidirem com o repasse de recursos de emendas feito por Frias a duas organizações chefiadas por Karina. Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a empresa movimentou R$ 19.033.071 e recebeu valores de diferentes remetentes, entre eles o deputado.
A corporação apontou ainda que parte das transações ocorreu durante o período de gravação de Dark Horse. Informações disponíveis publicamente indicam que as filmagens foram realizadas em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.
“Tais fatos chamam a atenção porque, como cediço, a Go Up Entertainment é a empresa responsável pelo filme Dark Horse, acerca da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tem como produtor executivo o Deputado Federal Mário Frias. Nesse sentido, segundo fontes abertas, o filme foi gravado justamente em São Paulo, entre 20 de outubro e 07 de dezembro de 2025. Assim, chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições, além de despesas com produtoras”, diz o relatório da PF.
As outras duas empresas da empresária registradas no sistema da Agência Nacional de Cinema (Ancine), a Go7 Assessoria e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), também foram alvo da operação. Além da Go Up, Dino proibiu a Go7 de licitar e contratar com o Poder Público. Já no caso do ICB, o ministro suspendeu “o exercício de qualquer atividade de natureza econômica ou financeira”.
Segundo relatório da PF, Karina teve “papel central na gestão das entidades responsáveis pela execução dos projetos financiados com recursos oriundos de emendas parlamentares, sendo identificada como um dos principais elos entre as organizações beneficiárias e os fornecedores contratados”.
