PF aponta repasses de R$ 1,4 milhão à produtora de “Dark Horse”

Mendonça autoriza inquérito da PF sobre filme 'Dark Horse'

A Polícia Federal identificou repasses do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e de uma empresa para a produtora Go Up, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o presidente Jair Bolsonaro. Segundo o relatório entregue ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, os investigadores identificaram o envio de R$ 645 mil pelo parlamentar e de outros R$ 755 mil pela empresa NTT, ligada a um dos empresários suspeitos.

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O relatório da PF aponta que a transferência feita por Frias ocorreu em um intervalo inferior a dois meses, período em que o filme estava em produção. Os investigadores questionaram a capacidade financeira do deputado para realizar os repasses, diante de seus rendimentos mensais como parlamentar.

“Destaca-se, ainda, o envio de R$ 645.400,00 para a Go Up pelo próprio Deputado Federal Mario Frias, cujos rendimentos mensais alcançam a monta de R$ 44.008,52, colocando em questão o lastro financeiro para dar suporte às transferências feitas para a pessoa jurídica de Karina Gama no curto espaço de menos de sessenta dias”, afirmou a PF.

A transferência da NTT, segundo os investigadores, tem relação com recursos recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização que recebeu uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada por Frias em 2024. A NTT Brasil pertence a Heric Dias e integra, de acordo com a PF, o mesmo grupo empresarial da Dinâmica Editora e do Instituto Super Poder Educacional.

As duas empresas receberam R$ 700 mil do ICB por meio de subcontratações. No relatório, a PF relaciona esse valor aos R$ 750 mil enviados pela NTT à Go Up.

“No que concerne ao presente caso, como já se destacou em tópico próprio, tais fatos se tornam relevantes na medida em que, no mesmo período, a NTT Brasil de Heric Dias enviou R$ 750.000,00 para a Go Up Entertainment, valor quase que exatamente correspondente aos R$ 700.000,00 que a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional, do mesmo grupo empresarial, receberam do ICB no escopo do Termo de Fomento n.º 971232, cujo objeto somente veio a ter tentativas de execução em 2026, portanto, após o período ora tratado”, afirmou a PF.

O repasse de R$ 645.400 feito diretamente por Frias também aparece em relatório do Coaf sobre as movimentações da Go Up. Em outro relatório, desta vez sobre o parlamentar, foram identificadas movimentações de R$ 882.570 em um período de um ano. A PF observou que a transferência para a produtora não aparece nesse segundo levantamento e levantou a possibilidade de o dinheiro ter saído de outra conta bancária.

“Observe se que o período de quase um ano engloba aquele da comunicação da Go Up, entretanto, a remessa não é computada na presente comunicação, o que leva a crer que tenha ocorrido por conta de outro banco”, afirmaram os investigadores ao STF.

A PF deflagrou nesta quinta-feira (10) uma operação para apurar o financiamento de “Dark Horse”. Foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão por determinação de Dino. A investigação apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares para a produção do filme.

Frias destinou os R$ 2 milhões em emendas ao ICB. Os recursos foram pagos em fevereiro e outubro de 2025. O deputado é produtor executivo do longa.

O caso também se relaciona a outra frente da investigação, que apura o envio de recursos para um fundo de investimentos nos Estados Unidos pelo ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.



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