O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou nesta manhã (09) que o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal (PF), determinado ontem (08) por André Mendonça, interessa “sobretudo aos investigados”. A declaração foi feita na decisão em que Dino ordenou o retorno imediato de Andrei ao comando da corporação.
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Segundo Dino, a saída do diretor-geral poderia interromper trabalhos de investigação e, consequentemente, beneficiar alvos de apurações. O próprio ministro, porém, afastou a possibilidade de atribuir intenção deliberada a Mendonça ou a qualquer outro agente público.
“Não se afirma o caráter doloso da conduta de qualquer agente público, mas é evidente que, objetivamente, a interrupção dos trabalhos de direção de investigações policiais interessa, sobretudo, aos investigados”, escreveu na decisão de hoje.
A decisão sustenta ainda que a criação de nulidades processuais decorrentes do descumprimento de formalidades legais “embaraça” a conclusão de processos penais.
Dino relacionou a saída de Andrei à possível paralisação das investigações sobre emendas ao filme Dark Horse. A afirmação, contudo, é apresentada sem qualquer demonstração concreta de que a mudança no comando da PF teria esse efeito. A decisão de Mendonça não determinou a interrupção de investigações da corporação.
Além disso, o afastamento de Andrei não deixou a PF sem comando. Durante sua ausência, William Murad assumiu interinamente a direção-geral. Ele já ocupava o cargo de diretor-executivo da corporação e era o número dois de Andrei.
