Lula pede direito de resposta após falas de Flávio na Globo

A campanha do presidente Lula pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) direito de resposta por declarações feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) durante a sabatina exibida pela TV Globo na sexta-feira (28). A ação foi apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, que apoia a reeleição do petista, e também inclui a emissora no processo.

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Segundo a campanha, Flávio teria feito declarações consideradas “falsas e gravemente descontextualizadas” sobre Lula e sua candidatura. O pedido foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques.

Entre os temas contestados estão as urnas eletrônicas, os atos de 8 de Janeiro, a homenagem ao ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, a relação de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o tarifaço dos Estados Unidos e o salário mínimo.

Campanha pede resposta no mesmo programa

A coligação de Lula quer que eventual direito de resposta seja exibido, preferencialmente, no mesmo programa em que ocorreram as declarações. O pedido prevê ainda que a resposta seja veiculada em até 48 horas após a decisão judicial e tenha pelo menos o dobro da duração dos trechos considerados ofensivos ou sabidamente inverídicos.

A ofensiva ocorre após Flávio também recorrer à Justiça Eleitoral contra declarações feitas por Lula em sua própria sabatina na Globo. O senador questionou afirmações do presidente sobre o resultado fiscal deixado pelo governo Jair Bolsonaro e sobre o crescimento do PIB.

A campanha petista também acionou o TSE para pedir a cassação do registro de candidatura e a inelegibilidade de Flávio por oito anos. A ação trata da participação do senador na Festa do Peão de Barretos e sustenta que houve pedido de votos e uso de estruturas financiadas por empresas privadas e órgãos públicos.

Flávio rebateu declarações sobre urnas e 8 de Janeiro

Durante a sabatina, Flávio reconheceu ter errado ao afirmar anteriormente que uma empresa venezuelana havia fabricado urnas utilizadas no Brasil. Ele disse que não coloca em dúvida o sistema eleitoral e que respeitará o resultado das eleições, inclusive em caso de derrota.

Ao falar sobre o 8 de Janeiro e a condenação de Jair Bolsonaro, Flávio classificou o processo como uma “grande farsa”. Também questionou a responsabilização do ex-presidente pelos atos, argumentando que Bolsonaro estava nos Estados Unidos na data das invasões.

O senador ainda defendeu Adriano da Nóbrega. Segundo ele, a Medalha Tiradentes foi concedida ao ex-policial antes do surgimento das acusações posteriores. Flávio afirmou que Adriano havia sido “falsamente acusado” no processo que resultou em sua prisão.

Relação com Vorcaro e críticas a Lula

Flávio também foi questionado sobre sua relação com Daniel Vorcaro, que financiou parte do filme sobre Jair Bolsonaro. O senador afirmou que a relação estava restrita à produção e direcionou as cobranças ao presidente Lula.

Na mesma entrevista, responsabilizou o petista pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Flávio, Lula “procurou muito” pela sobretaxa.

Sobre o salário mínimo, o candidato afirmou que os trabalhadores perderam poder de compra “por causa da gastança do governo”. Também disse que não pretende reduzir despesas sobre beneficiários do piso nacional e aposentados.

Ao longo dos cerca de 40 minutos de sabatina, Flávio mencionou Lula ao menos 17 vezes e utilizou a expressão “atual governo” em outras 10 ocasiões.

Na noite anterior, Lula havia participado de sua própria sabatina e evitado citar Jair Bolsonaro pelo nome.



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