O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou em recuperação judicial com R$ 265,2 milhões em dívidas. O pedido foi aceito pela Justiça de São Paulo na segunda-feira (24) e reúne 178 empresas ligadas ao conglomerado.
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Em nota, o grupo afirmou que a medida faz parte de uma estratégia para reorganizar as finanças e preservar a continuidade das operações. “As operações do Grupo seguem funcionando normalmente, mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”, informou a empresa.
A recuperação judicial foi deferida pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A KPMG foi nomeada administradora judicial.
O processo inclui 119 lojas do Habib’s, 26 unidades do Ragazzo, seis churrascarias Tendall, dez franqueadoras e holdings de participação e 17 sociedades responsáveis por atividades operacionais do grupo.
Bradesco e Itaú Unibanco estão entre os credores listados no processo.
Pandemia e juros pressionaram as contas
Segundo os argumentos apresentados à Justiça, o grupo enfrentou uma combinação de dificuldades econômicas nos últimos anos. A pandemia de Covid-19 afetou o setor de alimentação, enquanto o avanço das plataformas de delivery alterou os hábitos dos consumidores e pressionou o desempenho das lojas físicas.
A empresa também apontou o aumento dos juros como um dos fatores que elevaram o custo de captação e de rolagem das dívidas.
Antes da recuperação judicial, o Gennius havia recorrido à Justiça para obter uma tutela cautelar e suspender temporariamente cobranças e execuções. A medida criou um período para negociação com os credores, mas não foi suficiente para solucionar a crise financeira.
No pedido, os advogados afirmaram que o período de proteção proporcionou “algum fôlego financeiro” e criou um “ambiente propício para uma negociação coletiva”. Ainda assim, segundo a empresa, tornou-se necessária uma reestruturação global do endividamento.
Recuperação não interrompe funcionamento das lojas
A decisão judicial suspendeu as ações de execução de dívidas contra as empresas incluídas no processo e determinou que os credores mantenham os contratos em vigor.
A Justiça, porém, não autorizou a liberação de recebíveis bancários oferecidos como garantia fiduciária.
Agora, o Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação. Caso não cumpra o prazo ou não consiga avançar com a proposta, poderá enfrentar a decretação de falência.
O conglomerado afirmou que pretende combinar a reorganização financeira com medidas para ampliar as operações, incluindo novas unidades e maior investimento em lojas com foco no delivery.
