Além de Flávio, veja perseguidos políticos que deixaram o Brasil

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos amplia a lista de nomes ligados ao bolsonarismo que deixaram o Brasil em meio a processos judiciais. Entre eles estão o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, a ex-deputada Carla Zambelli e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques.

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Os casos têm situações jurídicas diferentes. Eduardo e Ramagem permanecem nos Estados Unidos, enquanto Zambelli está na Itália e aguarda novos desdobramentos de processos de extradição. Silvinei, por sua vez, foi preso no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador e acabou transferido ao Brasil.

Parte dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro afirma ser alvo de perseguição política por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). No caso do blogueiro Oswaldo Eustáquio, que também está fora do país, a Justiça espanhola considerou que o pedido brasileiro de extradição tinha motivação política e barrou a entrega às autoridades brasileiras.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, vive nos Estados Unidos desde 2025. Ele deixou o Brasil enquanto fazia articulações políticas no exterior e passou a ser alvo de um processo no STF.

Em junho de 2026, a Primeira Turma do Supremo o condenou a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Segundo o entendimento do colegiado, Eduardo atuou para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento que condenou seu pai por tentativa de golpe de Estado.

Em outubro, Alexandre de Moraes determinou o cumprimento da pena, a expedição de mandado de prisão e o cancelamento dos passaportes do ex-deputado. Eduardo permanece nos Estados Unidos.

Ramagem aguarda análise de extradição

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e ex-deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro, deixou o Brasil em setembro de 2025. Segundo a Polícia Federal, ele atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos.

Ramagem foi condenado pelo STF a 16 anos de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. O ex-parlamentar estava proibido de deixar o país e passou a ser considerado foragido após o encerramento do processo.

Em dezembro de 2025, Moraes iniciou os procedimentos para solicitar a extradição. Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou que o pedido havia sido formalmente apresentado às autoridades americanas. Até a última atualização localizada, não havia prazo definido para a conclusão da análise nos Estados Unidos.

Zambelli está na Itália

A ex-deputada Carla Zambelli deixou o Brasil em maio de 2025 e seguiu para a Itália, país de sua cidadania. Ela foi condenada pelo STF em processos relacionados à invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao episódio em que perseguiu um homem com uma arma em punho, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

Zambelli foi presa em Roma em julho de 2025, após a emissão de um mandado de prisão no Brasil. Em maio de 2026, a Corte de Cassação italiana negou um dos pedidos de extradição e determinou sua libertação. A decisão, porém, não anulou a condenação brasileira.

O segundo pedido de extradição teve outro desdobramento. Em julho, a Corte de Cassação anulou a decisão favorável à entrega da ex-deputada ao Brasil e determinou que o caso fosse reavaliado por outra composição da Corte de Apelação de Roma. A audiência, inicialmente prevista para outubro, foi adiada para 24 de novembro de 2026.

Silvinei Vasques foi preso no Paraguai

O ex-diretor-geral da PRF Silvinei Vasques foi preso em dezembro de 2025 no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai. Ele tentava embarcar para El Salvador com documentos falsos, segundo as informações divulgadas à época.

Vasques havia deixado o Brasil e rompido a tornozeleira eletrônica que utilizava por determinação judicial. Ele foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão no processo relacionado à atuação da PRF durante as eleições de 2022.

Após a prisão no Paraguai, foi entregue às autoridades brasileiras e transferido para Brasília. O caso difere dos demais porque o ex-diretor retornou ao Brasil sob custódia e passou a cumprir pena.

Justiça espanhola barrou extradição de Oswaldo Eustáquio

Outro nome ligado ao bolsonarismo que vive no exterior é o blogueiro Oswaldo Eustáquio, que está na Espanha desde 2023. Ele é alvo de mandados de prisão preventiva no Brasil e responde a acusações relacionadas a publicações e manifestações contra instituições brasileiras.

Em abril de 2025, a Justiça espanhola negou um pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. A decisão apontou “evidente conexão e motivação política” nas condutas atribuídas ao blogueiro e considerou que o tratado aplicável impede a extradição em determinadas situações envolvendo crimes políticos.

Em junho daquele ano, a Justiça espanhola também rejeitou uma nova tentativa de extradição. Eustáquio afirma ser vítima de perseguição política, enquanto as autoridades brasileiras sustentam que ele deve responder às acusações no país.

O caso espanhol é um dos exemplos mais concretos de como as alegações de motivação política passaram a integrar disputas judiciais envolvendo brasileiros que deixaram o país. A decisão, contudo, diz respeito à extradição de Eustáquio e não representa uma decisão geral sobre os demais processos contra aliados de Bolsonaro.

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