Flávio diz que não vai “compactuar com censura e interferência do Judiciário nas eleições” – Paulo Figueiredo

Candidato do PL abandona confronto da Globo após TSE alterar regras para ausência de Lula

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira (1º) que não vai “compactuar com censura e interferência do Judiciário nas eleições” e anunciou a desistência do debate da TV Globo, previsto para esta noite. A manifestação ocorreu poucas horas antes do início do programa, após decisões judiciais modificarem as regras e a composição do confronto.

“Bom, boa noite, Flávio Bolsonaro aqui. Eu tenho um alerta a fazer para todo mundo. Eu não vou compactuar com censura e interferência do Judiciário nas eleições. Como vocês podem ver, está todo mundo aqui pronto para ir para Globo para o debate, nos preparamos”, declarou.

Flávio afirmou que sua decisão também considerou os eleitores que aguardavam o confronto. “Em respeito a todos vocês, aos milhões de brasileiros que estavam aguardando as nossas propostas, o debate sério de alto nível”, disse.

A desistência ocorreu depois de duas decisões judiciais tomadas ao longo da tarde e da noite. A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu uma regra registrada pela emissora que previa a exibição destacada do espaço reservado ao candidato ausente e a possibilidade de os participantes dirigirem perguntas a ele.

Na decisão, Estela determinou que a emissora se abstivesse de aplicar o dispositivo no debate desta quinta-feira. A ministra afirmou que a regra poderia produzir consequências negativas para candidatos que optassem por não participar e destacou que a presença em debates é facultativa.

A medida havia sido tomada a pedido do PT, depois que Lula (PT) confirmou que não participaria do debate. O presidente escolheu conceder uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário do programa.

Horas depois, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que Renan Santos (Missão) fosse incluído no debate na vaga aberta pela desistência do petista. A decisão garantiu ao candidato as mesmas condições de tempo, perguntas e posição dos demais participantes.

A determinação de Gilmar encerrou uma sequência de decisões sobre a presença de Renan no programa. Antes, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia negado o pedido do candidato, e a ministra Cármen Lúcia, do STF, também rejeitou uma tentativa de garantir sua participação.

Ao justificar a inclusão, Gilmar considerou que Renan preenchia o critério estabelecido pela própria Globo para ocupar uma eventual vaga aberta pela desistência de um candidato. Ele aparecia com 3% na pesquisa Quaest de 28 de setembro e era o mais bem colocado entre os candidatos que não tinham participação assegurada pelos critérios legais.

Antes de deixar o debate, Flávio havia confirmado presença no programa. Após as decisões, publicou uma primeira manifestação nas redes sociais para anunciar a mudança de posição.

“Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu.

Na nova declaração, o candidato voltou a criticar as decisões tomadas durante a preparação do programa e afirmou que ele e sua equipe estavam preparados para participar do confronto.

“Mais do que nunca é necessário votar em Flávio Bolsonaro já no primeiro turno. Vamos resolver esse negócio já nesse domingo agora, para que a gente possa dar um recado claro, que o Brasil tem jeito e ninguém aguenta mais essa situação de sequestro que a nossa democracia enfrentou”, afirmou.

Ao final, Flávio associou sua campanha à defesa da democracia e pediu votos para o primeiro turno. “Pelo bem da democracia, é Flávio Bolsonaro, 22”, declarou.

Com Lula e Flávio fora e Renan incluído por decisão judicial, a Globo recebeu, na sequência, novas determinações sobre a realização do programa e acabou cancelando o debate. A emissora informou que as decisões tomadas horas antes provocaram insegurança jurídica e interferiram na organização do confronto.

Crédito Claudio Dantas

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