Está me espionando?: Messias confronta Andrei diante de Lula

O advogado-geral da União, Jorge Messias, confrontou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, diante do presidente Lula (PT), após suspeitar que seu telefone estivesse sendo monitorado pela corporação. “Você está me espionando?”, perguntou Messias durante uma reunião no Palácio do Planalto, em 4 de setembro. As informações são do portal Uol.

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A conversa foi marcada por tensão e troca de acusações. Messias também questionou se a PF estaria acompanhando suas comunicações. Andrei negou categoricamente qualquer monitoramento.

O encontro ocorreu um dia depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes retirar o sigilo de um relatório de inteligência produzido pela PF. O documento analisava a relação entre Messias e Andrei e fazia observações sobre a atuação do ministro André Mendonça nas investigações envolvendo o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Em um dos trechos, o relatório classificava como “BAIXA” a confiança entre Messias e Andrei. Em outra passagem, aparecia a expressão “autoriza monitoramento e coleta dirigida”. O conteúdo alimentou a desconfiança do chefe da AGU sobre a possibilidade de estar sendo monitorado.

Andrei, no entanto, negou que a PF tivesse realizado espionagem contra Messias. Segundo relatos de pessoas próximas, o diretor da corporação considerou exagerada a reação do ministro e afirmou que ele deveria questionar a situação na esfera adequada, e não durante uma reunião no Palácio do Planalto.

Divergências sobre o Banco Master

O confronto foi precedido por uma série de divergências entre PF e AGU na condução das investigações sobre o Banco Master.

Em julho, a Polícia Federal havia pedido à Advocacia-Geral da União que contestasse decisões de André Mendonça relacionadas ao caso. Messias decidiu não apresentar o recurso.

A avaliação da AGU era de que o órgão não teria competência para atuar na esfera criminal e de que uma contestação às decisões do relator poderia criar espaço para as defesas questionarem atos da investigação e tentarem obter futuras nulidades processuais.

A PF tinha entendimento diferente. Segundo os relatos, Andrei considerava que algumas decisões de Mendonça avançavam sobre atribuições da corporação e poderiam interferir no andamento das apurações.

O relatório de inteligência também apresentou hipóteses para explicar a decisão de Messias. Entre elas, citou uma “matriz religiosa comum” entre o advogado-geral e Mendonça e o apoio dado pelo ministro à frustrada indicação de Messias para uma vaga no STF.

Essas referências constavam como hipóteses na análise de inteligência e não como conclusões comprovadas sobre a conduta do advogado-geral.

Mendonça afasta Andrei

Quatro dias depois da reunião com Lula, em 8 de setembro, André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

Na decisão, o ministro apontou a existência de “monitoramento sistemático” e “ilícito” realizado pela inteligência da PF contra ele e Jorge Messias. Segundo Mendonça, documentos produzidos entre 3 e 31 de agosto indicariam monitoramento e coleta dirigida.

A decisão abriu uma nova frente de conflito dentro do governo.

Messias apresentou recurso contra o afastamento de Andrei, mas sem autorização do diretor-geral da PF. Rodrigues telefonou para o advogado-geral e afirmou:

“Você está proibido de recorrer em meu nome.”

Messias respondeu:

“Eu vou recorrer em nome do presidente da República.”

O diretor da PF decidiu então não utilizar a assistência jurídica da AGU. Contratou uma advogada particular e recorreu diretamente ao STF.

O ministro Flávio Dino acolheu o pedido e determinou a reintegração de Andrei ao cargo. A AGU também recorreu, desta vez ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Fachin posteriormente suspendeu as decisões conflitantes de Dino e Mendonça e determinou que os envolvidos se manifestassem.

Relatório aumentou tensão entre órgãos

O relatório da PF divulgado por Moraes tornou público um ambiente de desconfiança que já vinha sendo construído nos bastidores.

Além da relação entre Messias e Andrei, o documento analisava a decisão da AGU de não contestar os atos de Mendonça no caso Master. O texto levantava diferentes possibilidades para explicar a postura do advogado-geral, mas também registrava que determinadas hipóteses não autorizavam providência formal.

A expressão sobre “monitoramento e coleta dirigida” foi um dos pontos que mais contribuíram para a reação de Messias.

O diretor-geral da PF afirma que não houve monitoramento do telefone do advogado-geral. Messias e Andrei foram procurados para comentar o episódio e, segundo as reportagens que relataram o confronto, não se manifestaram.



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