O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes defendeu o contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da sua família. Na manifestação apresentada na noite de ontem (14) ao presidente do STF, Edson Fachin, o ministro afirmou que sua mulher e seus dois filhos têm direito ao exercício da advocacia.
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“O relatório faz falsas conjecturas sobre o contrato legalmente existente entre o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e o Banco Master”, diz Moraes na sua peça de defesa. “Minha mulher e meus dois filhos são advogados e têm direito, como todos os demais advogados, a exercer a profissão, sempre com respeito à legislação e à ética. Importante relembrar que jamais atuei em qualquer caso envolvendo o escritório Barci de Moraes”, segue o ministro.
A defesa foi apresentada na véspera do julgamento marcado para hoje (15), quando o plenário da Corte decidirá se abre ou não investigação contra Moraes a partir do conteúdo de mensagens trocadas com Vorcaro.
O relatório da Polícia Federal (PF) que será analisado pelos ministros registra 52 mensagens enviadas pelo banqueiro a Moraes nas semanas anteriores à 1ª prisão de Vorcaro e à liquidação do Master. O empresário buscava aconselhamento e apoio do ministro para tentar reverter as duas medidas.
Moraes também contestou a interpretação dada pela PF ao contrato e afirmou que, quando se encontrou com Vorcaro em um hotel no interior de São Paulo e quando sua mulher fechou o acordo com o banco, o empresário ainda não era conhecido publicamente como um banqueiro envolvido em fraudes.
“No momento da contratação do escritório Barci de Moraes pelo Banco Master não existia nenhuma investigação criminal e o referido banco mantinha contratos com inúmeros escritórios, e grandes verbas de publicidade e patrocínio com empresas de mídia”, diz Moraes.
A manifestação não aborda o fato de a PF apontar que o próprio ministro editou o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de sua mulher. A atuação foi admitida pela banca.
Moraes também negou a existência de um segundo contrato entre o escritório e a empresa Viking, de Vorcaro. Segundo ele, o documento citado pela PF é uma “farsa”: “Com ILAÇÕES ABSOLUTAMENTE FALSAS, o relatório indica a existência de uma segunda contratação, que jamais existiu. INEXISTIU SEGUNDO CONTRATO OU QUALQUER OUTRO VÍNCULO do escritório Barci de Moraes com o banco Master, Daniel Vorcaro ou qualquer das empresas ligadas a eles”.
