O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou uma investigação para apurar uma possível atuação do senador Weverton Rocha (PDT-MA) junto ao ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um caso relacionado a uma investigação sobre homicídio, corrupção e suposta obstrução da Justiça no Maranhão.
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A informação consta em decisão do ministro Flávio Dino (STF), cujo sigilo foi retirado nesta sexta-feira (14). O documento reúne elementos apresentados pela Polícia Federal (PF) sobre uma possível tentativa de interferência no andamento de uma sindicância no STJ.
Segundo a PF, Weverton teria mantido contatos frequentes com Humberto Martins e feito pedidos relacionados a processos sob responsabilidade do ministro. A investigação aponta que as conversas entre os dois ocorreram de forma recorrente entre janeiro de 2023 e outubro de 2025.
Para os investigadores, a relação teria ultrapassado os contatos institucionais. A PF afirma ter identificado pedidos feitos diretamente pelo senador, inclusive com referência nominal a pessoas que tinham processos sob relatoria de Martins.
A representação encaminhada ao STF cita a possibilidade de Weverton ter atuado para influenciar o andamento da Sindicância nº 861/DF. Os investigadores levantam a hipótese de que a atuação teria ocorrido mediante tratativas destinadas a dificultar o avanço da apuração, em troca de valores.
Transferência de preso
Um dos episódios analisados pela PF ocorreu em 2 de junho de 2025. Naquela data, Weverton e Humberto Martins mantiveram contato telefônico. No mesmo dia, o ministro do STJ determinou a transferência de Gilbson Cutrim Soares Júnior, preso na Penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, para Brasília.
Gilbson foi condenado pela morte do empresário João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, assassinado em 2022. Segundo as investigações, o homicídio estaria relacionado a uma reunião envolvendo a divisão de valores provenientes de contratos públicos.
A PF aponta que, depois da transferência, o processo deixou de registrar movimentações relevantes.
A apuração também busca esclarecer se houve uma articulação para impedir que Gilbson e familiares colaborassem com as autoridades. Investigadores relatam suspeitas de pressão para evitar depoimentos e eventual acordo de colaboração premiada.
Suspeitas no Maranhão
O caso envolve uma investigação mais ampla sobre uma suposta organização criminosa com atuação no Maranhão. As apurações abrangem suspeitas de homicídio, corrupção, desvio de recursos públicos e obstrução da Justiça.
A PF também investiga possíveis interferências na apuração conduzida inicialmente pela Polícia Civil do Maranhão. Entre os elementos citados estão suspeitas de omissões em relatórios e o desaparecimento de imagens de câmeras de segurança que poderiam ajudar a esclarecer quem participou da reunião relacionada ao crime.
Outro ponto investigado envolve o agente da Polícia Federal Edvar Rodrigues, suspeito de repassar informações sigilosas a pessoas ligadas aos investigados e de pressionar envolvidos a não colaborar com as autoridades.
O ex-deputado estadual Raimundo Cutrim também aparece na investigação. Segundo a PF, ele teria orientado o pai de Gilbson a apresentar uma versão falsa às autoridades e entregue R$ 160 mil em espécie à família, supostamente em nome de Marcus Brandão.
