Isso não é uma eleição, Lula!

O Estadão noticia sem corar que o jantar de Lula com Davi Alcolumbre na casa de Alexandre de Moraes e com a presença de Cristiano Zanin tratou do acordo político que levou a federação União Progressista a abandonar a campanha de Flávio Bolsonaro e adotar a neutralidade em nível nacional. No Piauí, o PT também não vai atrapalhar a tentativa de reeleição de Ciro Nogueira, que, por sua vez, deixará de fazer oposição ao presidente. A cereja do bolo passa pelo apoio do Palácio do Planalto à reeleição de Hugo Motta no comando da Câmara, caso Lula consiga um quarto mandato presidencial.

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Tudo isso seria apenas política, se toda essa conversa não tivesse acontecido na casa de Alexandre de Moraes e na presença de Cristiano Zanin. Governar com auxílio do Supremo Tribunal Federal não é governar, é submeter. Isso não é política, é chantagem. E todas as figuradas citadas acima, inclusive Moraes, estão conectados pelo maior escândalo financeiro da história da República, hoje sob a relatoria de André Mendonça, que não estava lá, o que deixa no ar um cheiro de conspiração.

Ciro é o camisa 10 do Centrão, já foi aliado de Lula no passado e passou a última década infiltrado no bolsonarismo. Viajava de férias com Daniel Vorcaro, tinha negócios com o banqueiro e, suspeita-se, abria-lhe a porta do mundo político. Investigadores ligados ao caso dizem que Ciro está para Vorcaro como Augusto Lima está para Jaques Wagner. A diferença é que o baiano desfruta da atual blindagem institucional do regime e não precisa negociar nada.

Alcolumbre não é Ciro, mas tudo indica que também fez negócios com Vorcaro. Mandou no Senado durante o governo Bolsonaro e mandou de novo agora, no governo Lula. Seu poder vem das emendas parlamentares que hoje estão sob escrutínio de Flávio Dino, outro companheiro de Lula. Isso quer dizer que, com apenas uma canetada, o leão do Amapá pode virar um cordeirinho domesticado.

Mas a imprensa do Sidônio 1.5 bi do PT baiano continuará a noticiar essas ‘articulações’ com a mesma normalidade com que procura justificativas para um jantar entre o presidente da República, o presidente do Senado e o vice-presidente do Supremo. Ela só se espanta com o fato de Flávio Bolsonaro não ter escolhido uma mulher como vice, recicla com afinco denúncias falsas de abuso sexual contra Alfredo Gaspar e se indigna com supostos vídeos nunca vistos ou publicados do filho de Bolsonaro com astronautas suíças.



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