{"id":6008,"date":"2024-05-17T22:22:10","date_gmt":"2024-05-17T22:22:10","guid":{"rendered":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/2024\/05\/17\/medico-alerta-que-vamos-ter-um-boom-de-casos-de-cancer-em-2030\/"},"modified":"2024-05-18T07:11:38","modified_gmt":"2024-05-18T07:11:38","slug":"medico-alerta-que-vamos-ter-um-boom-de-casos-de-cancer-em-2030","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/2024\/05\/17\/medico-alerta-que-vamos-ter-um-boom-de-casos-de-cancer-em-2030\/","title":{"rendered":"M\u00e9dico alerta que \u2018Vamos ter um boom de casos de c\u00e2ncer em 2030\u2019"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><em>Divulga\u00e7\u00e3o \/ Instituto Oncocl\u00ednicas<\/em><\/p>\n<p>As previs\u00f5es para os n\u00fameros do\u00a0c\u00e2ncer, no Brasil e no mundo, n\u00e3o s\u00e3o das melhores. Dados mais recentes da Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa sobre o C\u00e2ncer (IARC, da sigla em ingl\u00eas), bra\u00e7o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), estimam 35 milh\u00f5es de novos casos da doen\u00e7a em 2050, 77% a mais do que o n\u00famero de 2022.<\/p>\n<p>No Brasil, o \u00f3rg\u00e3o prev\u00ea um salto ainda maior, de 83,5%, levando o pa\u00eds a registrar 1,15 milh\u00e3o de novos pacientes oncol\u00f3gicos daqui a pouco mais de duas d\u00e9cadas. Para o oncologista Carlos Gil, o crescimento vai al\u00e9m da melhora do diagn\u00f3stico e reflete h\u00e1bitos de vida nocivos e a transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica que leva o planeta a ter uma popula\u00e7\u00e3o cada vez mais envelhecida.<\/p>\n<p>Em meio a esse cen\u00e1rio, ele, que \u00e9 presidente de honra da Sociedade Brasileira de Oncologia Cl\u00ednica (SBOC) e presidente do Instituto Oncocl\u00ednicas, cita os tr\u00eas principais gargalos que o Brasil enfrenta hoje no controle do c\u00e2ncer, as perspectivas com as novas tecnologias em desenvolvimento e a import\u00e2ncia de ampliar o acesso \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico precoce e tratamento da doen\u00e7a na rede p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os principais gargalos hoje no controle e tratamento do c\u00e2ncer no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 que n\u00e3o temos uma pol\u00edtica clara que favore\u00e7a a preven\u00e7\u00e3o e o diagn\u00f3stico precoce. Temos pol\u00edticas pontuais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para determinados tipos de c\u00e2ncer, como o de mama, mas n\u00e3o temos programas para diagnosticar cedo c\u00e2ncer colorretal, com colonoscopias de rotina, n\u00e3o temos programa de rastreamento do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. E isso \u00e9 o que os pa\u00edses desenvolvidos v\u00eam fazendo. A \u00fanica a\u00e7\u00e3o que fizemos de forma bem sucedida nesse sentido foi o programa de cessa\u00e7\u00e3o do tabagismo para preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O segundo gargalo \u00e9 o acesso a tratamentos mais modernos dispon\u00edveis hoje, que t\u00eam um impacto na sobrevida e na qualidade de vida. Cirurgias minimamente invasivas, por v\u00eddeo, rob\u00f3ticas, fazem muita diferen\u00e7a para tumores como os da pelve, casos do de reto, pr\u00f3stata, ginecol\u00f3gico. Mas no setor p\u00fablico, temos pouqu\u00edssimas institui\u00e7\u00f5es com rob\u00f4s operantes e profissionais treinados. Na rede privada, temos mais infraestrutura, mas ainda podemos melhorar muito. O acesso \u00e0 radioterapia tamb\u00e9m \u00e9 um problema. Temos um n\u00famero de aparelhos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o muito pequeno. Existe um programa do minist\u00e9rio para ampliar esse n\u00famero, mas est\u00e1 atrasado.<\/p>\n<p>Por fim, o terceiro gargalo \u00e9 o baixo investimento em pesquisa cl\u00ednica pelo setor p\u00fablico para atender a demandas do controle do c\u00e2ncer no pa\u00eds, que \u00e9 muito limitado h\u00e1 d\u00e9cadas. Para o Brasil avan\u00e7ar, com capacidade de desenvolver novas tecnologias nacionais e a custo mais baixo e acess\u00edvel, \u00e9 preciso financiamento.<\/p>\n<p><strong>E o acesso \u00e0 medica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o aos medicamentos, para alguns tipos de c\u00e2ncer, as terapias-alvo, drogas que agem numa muta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do tumor, t\u00eam conseguido controlar ou at\u00e9 reverter o c\u00e2ncer. Mas mesmo no \u00e2mbito privado o acesso \u00e9 limitado, o problema come\u00e7a j\u00e1 no pouco acesso \u00e0 an\u00e1lise gen\u00f4mica daquele tumor, necess\u00e1ria para o uso de um rem\u00e9dio do tipo. Outros rem\u00e9dios que v\u00eam fazendo diferen\u00e7a s\u00e3o da imunoterapia, que \u00e9 praticamente inexistente no sistema p\u00fablico brasileiro. A Conitec recentemente negou a incorpora\u00e7\u00e3o de alguns imunoter\u00e1picos para c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, por exemplo, no SUS. E no \u00e2mbito privado n\u00e3o h\u00e1 boa vontade dos planos de sa\u00fade de arcar com essas despesas.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 uma pol\u00edtica nacional de preven\u00e7\u00e3o e diagn\u00f3stico sendo elaborada?<\/strong><\/p>\n<p>Tivemos um avan\u00e7o no fim do ano passado que foi a aprova\u00e7\u00e3o de um projeto de lei que prev\u00ea que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade desenvolva uma pol\u00edtica nacional de controle de c\u00e2ncer. A lei ainda n\u00e3o foi regulamentada, mas dentre as a\u00e7\u00f5es previstas est\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de programas de preven\u00e7\u00e3o e de diagn\u00f3stico precoce. A meu ver, \u00e9 onde a verba deve ser prioritariamente investida hoje. Numa segunda etapa, a lei prev\u00ea um aumento do or\u00e7amento para oncologia dentro do minist\u00e9rio. Hoje, ele est\u00e1 na faixa de R$ 3 bilh\u00f5es, que \u00e9 algo \u00ednfimo dentro de todo o montante da pasta. Precisar\u00edamos pelo menos triplic\u00e1-lo se quisermos dar um acesso m\u00ednimo e decente aos pacientes do SUS.<\/p>\n<p><strong>O Pronon, que direciona doa\u00e7\u00f5es para pesquisa e tratamento oncol\u00f3gico, \u00e9 tempor\u00e1rio e quase foi encerrado antes da \u00faltima prorroga\u00e7\u00e3o. Seria importante termos pol\u00edticas mais permanentes?<\/strong><\/p>\n<p>O Pronon \u00e9 importante, foi criado h\u00e1 muitos anos, mas correu o risco de ser cancelado no governo anterior. Ele ajuda bastante, \u00e9 um mecanismo de financiamento interessante, que, sim, gostar\u00edamos que fosse perene. Mas ele \u00e9 insuficiente para o que precisamos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>China e Coreia do Sul, por exemplo, investiram pesadamente na ind\u00fastria farmac\u00eautica nas \u00faltimas d\u00e9cadas para se tornarem aut\u00f4nomas na produ\u00e7\u00e3o de medicamentos inovadores. Mas foi uma pol\u00edtica de Estado, pensada a longo prazo. N\u00f3s n\u00e3o temos mecanismos do tipo no Brasil. Para desenvolver uma tecnologia nacional, por exemplo, \u00e9 preciso um investimento de 5, 10, 15 anos. Como o nosso ambiente pol\u00edtico \u00e9 vol\u00e1til, muitas vezes os governos mudam e cancelam programas do anterior, o que impossibilita a continuidade.<\/p>\n<p><strong>Previs\u00f5es apontam para o aumento de casos de c\u00e2ncer. Por que isso deve acontecer?<\/strong><\/p>\n<p>Vamos viver um boom de casos de c\u00e2ncer em 2030, no mundo e no Brasil. Isso \u00e9 resultado de v\u00e1rios fatores. Em primeiro lugar, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 vivendo mais, ent\u00e3o a chance de altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas decorrentes do envelhecimento aumenta. Alguns c\u00e2nceres s\u00e3o caracter\u00edsticos da terceira idade, como o de pr\u00f3stata.<\/p>\n<p>Existe uma melhoria no diagn\u00f3stico, falando de pa\u00edses desenvolvidos, mas outro ponto mais importante por tr\u00e1s desse aumento s\u00e3o os fatores ambientais. Obesidade, sedentarismo, tabagismo, \u00e1lcool, polui\u00e7\u00e3o ambiental s\u00e3o causas diretas de c\u00e2ncer. Ent\u00e3o \u00e9 um conjunto entre envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e uma exposi\u00e7\u00e3o prolongada e aumentada a agentes ambientais com potencial cancer\u00edgeno.<\/p>\n<p>Mas o cen\u00e1rio hoje de tratamento tamb\u00e9m n\u00e3o tem nem compara\u00e7\u00e3o com 10 anos atr\u00e1s. Temos pacientes que j\u00e1 vivem o triplo, o qu\u00edntuplo do que viviam antes e com \u00f3tima qualidade de vida. O que nos deixa como profissionais muito preocupados \u00e9 que essa \u00e9 a realidade da medicina privada, enquanto no SUS at\u00e9 o diagn\u00f3stico \u00e9 dif\u00edcil.O cen\u00e1rio hoje de tratamento tamb\u00e9m n\u00e3o tem nem compara\u00e7\u00e3o com 10 anos atr\u00e1s. Temos pacientes que j\u00e1 vivem o triplo, o qu\u00edntuplo do que viviam e com qualidade de vida \u2014 Carlos Gil, presidente do Instituto Oncocl\u00ednicas\u00a0<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica de cessa\u00e7\u00e3o do tabagismo teve bons resultados. Precisar\u00edamos de algo semelhante com, por exemplo, ultraprocessados?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favidas. Pa\u00edses escandinavos fazem campanhas de educa\u00e7\u00e3o come\u00e7ando nas escolas em rela\u00e7\u00e3o aos alimentos ultraprocessados. Temos que aumentar isso no Brasil. A rela\u00e7\u00e3o com o c\u00e2ncer colorretal \u00e9 direta, hoje j\u00e1 n\u00e3o existe d\u00favida. Existem alertas nos r\u00f3tulos dos alimentos, mas \u00e9 preciso uma campanha maior de conscientiza\u00e7\u00e3o, semelhante \u00e0 feita para o tabagismo, que chegou ao extremo das fotos nas embalagens, mas que sabemos que \u00e9 eficaz. \u00d3bvio que existe um grande embate com a ind\u00fastria aliment\u00edcia, mas o governo precisa encabe\u00e7ar isso.<\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea o progresso cient\u00edfico nessa \u00e1rea? Seremos capazes de controlar e curar mais tipos de c\u00e2ncer?<\/strong><\/p>\n<p>Isso vai mudar muito ainda na pr\u00f3xima d\u00e9cada. Essas novas tecnologias, \u00e0s vezes olhamos para elas de forma isolada, mas vamos ter diferentes op\u00e7\u00f5es de tratamentos avan\u00e7ados para um mesmo tipo de c\u00e2ncer. Acredito que vamos ser capazes de, se n\u00e3o curar alguns tipos de c\u00e2ncer, torn\u00e1-los doen\u00e7as cr\u00f4nicas. O problema todo \u00e9 que o custo \u00e9 incrementado. Uma nova tecnologia muitas vezes n\u00e3o substitui a anterior, ela \u00e9 acrescentada, e o valor tamb\u00e9m. Ent\u00e3o \u00e9 um desafio para o sistema de sa\u00fade conseguir bancar. A solu\u00e7\u00e3o para isso \u00e9, por um lado, conseguirmos aumentar o diagn\u00f3stico precoce, que favorece a chance de cura com menos tratamentos, e, por outro, focar em desenvolver tecnologias mais baratas.<\/p>\n<p><strong>O que dever\u00edamos estar fazendo para garantir o acesso a essas tecnologias com pre\u00e7os menores?<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente, foi anunciada uma parceria entre a Fiocruz e o Inca para desenvolvimento de novas terapias, principalmente o CAR-T Cell, que \u00e9 um tipo de imunoterapia mais avan\u00e7ada. Ainda vai levar alguns anos para chegar na pr\u00e1tica, mas \u00e9 algo interessante, dever\u00edamos ter v\u00e1rias dessas iniciativas. Temos uma academia muito forte, com muita experi\u00eancia, mas isso demanda financiamento. O custo por paciente hoje do CAR-T Cell no Brasil, por exemplo, \u00e9 em torno de R$ 2 milh\u00f5es, e n\u00e3o temos ainda no sistema p\u00fablico, exceto em alguns estudos. Mesmo no setor privado, muitos planos de sa\u00fade t\u00eam negado o acesso. Mas isso \u00e9 uma quest\u00e3o global, que tem motivado uma discuss\u00e3o mais aberta sobre o aumento exponencial nos custos dos medicamentos com a ind\u00fastria farmac\u00eautica, para entender se \u00e9 justific\u00e1vel ou n\u00e3o. A ind\u00fastria investe muito dinheiro no desenvolvimento de novas tecnologias, o que \u00e9 \u00f3timo, mas ser\u00e1 que esse pre\u00e7o \u00e9 o caminho?<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/terrabrasilnoticias.com\/2024\/05\/medico-alerta-que-vamos-ter-um-boom-de-casos-de-cancer-em-2030\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Divulga\u00e7\u00e3o \/ Instituto Oncocl\u00ednicas As previs\u00f5es para os n\u00fameros do\u00a0c\u00e2ncer, no Brasil e no mundo, n\u00e3o s\u00e3o das melhores. Dados mais recentes da Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa sobre o C\u00e2ncer (IARC, da sigla em ingl\u00eas), bra\u00e7o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), estimam 35 milh\u00f5es de novos casos da doen\u00e7a em 2050, 77% a mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6009,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[80,3269,624,100,1749,401,5473],"class_list":["post-6008","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-alerta","tag-boom","tag-cancer","tag-casos","tag-medico","tag-ter","tag-vamos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6008","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6008"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6008\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6010,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6008\/revisions\/6010"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6009"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}