{"id":3266,"date":"2024-04-05T10:34:28","date_gmt":"2024-04-05T10:34:28","guid":{"rendered":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/2024\/04\/05\/descendentes-de-japoneses-estao-deixando-o-brasil-e-fazendo-o-caminho-de-volta-de-seus-ancestrais\/"},"modified":"2024-04-05T10:42:49","modified_gmt":"2024-04-05T10:42:49","slug":"descendentes-de-japoneses-estao-deixando-o-brasil-e-fazendo-o-caminho-de-volta-de-seus-ancestrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/2024\/04\/05\/descendentes-de-japoneses-estao-deixando-o-brasil-e-fazendo-o-caminho-de-volta-de-seus-ancestrais\/","title":{"rendered":"Descendentes de japoneses est\u00e3o deixando o Brasil e fazendo o caminho de volta de seus ancestrais"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Foto: Arquivo pessoal<\/p>\n<p>Boa parte descendente de imigrantes japoneses, comunidade brasileira soma 211 mil integrantes que se beneficiam da escassez de m\u00e3o de obra no pa\u00eds, informa O Globo<\/p>\n<p>Pedro arrumou servi\u00e7o numa f\u00e1brica de autope\u00e7as na cidade de Seki, regi\u00e3o central do Jap\u00e3o, depois de quase um m\u00eas, enquanto Peetra ainda espera por uma vaga.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Chegamos bem no final do ano fiscal japon\u00eas [mar\u00e7o], uma \u00e9poca ruim para come\u00e7ar a trabalhar \u2014 explica ele.\u00a0<\/p>\n<p>Mesmo com o iene fraco e desvalorizado, a ideia do casal \u00e9 ficar cinco anos e juntar o m\u00e1ximo poss\u00edvel para abrir uma pet shop na cidade do Vale do Para\u00edba.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil \u00e9 \u00f3timo em v\u00e1rios aspectos, mas n\u00e3o oferece muitas op\u00e7\u00f5es de crescimento para assalariados. T\u00ednhamos empregos est\u00e1veis, mas sem perspectivas de um futuro melhor. Aqui, sabemos que n\u00e3o vamos ganhar dinheiro f\u00e1cil, mas ainda \u00e9 melhor \u2014 analisa Peetra, que estudou japon\u00eas e quer aproveitar para aprender e levar o m\u00e1ximo de conhecimento de volta \u00e0 terra natal.\u00a0<\/p>\n<p>As pretens\u00f5es da fam\u00edlia Sakurai s\u00e3o parecidas com as dos 211 mil brasileiros residentes no pa\u00eds, segundo dados de 2023 do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Esse grupo j\u00e1 foi bem maior. Em 2008, eram 317 mil, de acordo com a estat\u00edstica oficial. A queda ocorreu ap\u00f3s a crise econ\u00f4mica mundial naquele ano e se acentuou com o terremoto e a tsunami de 2011. Desde ent\u00e3o, o n\u00famero praticamente ficou est\u00e1vel, com leve subida p\u00f3s-pandemia.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><figcaption class=\"wp-element-caption\">Diego Cipriano e a fam\u00edlia no Jap\u00e3o. Brasileiro trabalha 12 horas por dia e ainda faz bicos no fim de semana \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>Diego Cipriano, 38, foi um dos que chegaram pouco antes da recess\u00e3o, h\u00e1 17 anos. Ele deixou a carreira de ciclista profissional e um trabalho na \u00e1rea de inform\u00e1tica para tentar uma vida melhor no exterior. A esposa, neta de japoneses, convenceu-o a vir para o Jap\u00e3o. Hoje, ele trabalha em m\u00e9dia 12 horas por dia numa f\u00e1brica de transformadores de alta tens\u00e3o, de segunda a sexta. Nos finais de semana, faz bicos em um food truck de pizza, faz manuten\u00e7\u00e3o de bicicletas em uma empresa de turismo em Kyoto e atua como fot\u00f3grafo em eventos, anivers\u00e1rios, al\u00e9m de fazer ensaios pessoais.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Tem dia que durmo apenas tr\u00eas horas \u2014 conta o brasileiro, que ganha em m\u00e9dia 1.400 ienes (R$46) por hora.<\/p>\n<p>Tanto empenho tem um motivo. Ele financiou um im\u00f3vel pr\u00f3prio e quer garantir os estudos dos tr\u00eas filhos nascidos no Jap\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Minha obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 dar \u00e0 fam\u00edlia uma vida melhor do que a que tive no Brasil \u2014 justifica Cipriano. \u2014 Cheguei no Jap\u00e3o com apenas duas malas, sem falar o idioma ou conhecer a cultura. Hoje tenho orgulho do que conquistei: comprei uma casa confort\u00e1vel, um bom carro e tenho uma seguran\u00e7a que n\u00e3o se encontra em nenhum lugar do mundo.\u00a0<\/p>\n<p>O pa\u00eds oriental \u00e9 destino de trabalhadores brasileiros desde o fim da d\u00e9cada de 1980. Mas foi em 1990 que o Jap\u00e3o inseriu uma emenda na Lei de Controle de\u00a0Imigra\u00e7\u00e3o\u00a0e Reconhecimento de Refugiados, dando a possibilidade para descendentes da segunda e da terceira gera\u00e7\u00e3o (nisseis e sanseis, respectivamente) e suas fam\u00edlias obterem visto atrelado a uma nova categoria, com permiss\u00e3o para trabalhar.\u00a0<\/p>\n<p>A reforma, conta o jornalista e escritor Gilberto Yoshinaga, calhou com o Plano Collor, o que fez milhares de brasileiros emigrarem para o Jap\u00e3o em busca de estabilidade.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Fam\u00edlias inteiras come\u00e7aram a se establecer no Jap\u00e3o. Se antes iam s\u00f3 para juntar dinheiro em pouco tempo e retornar, passaram a prolongar a estadia e a consumir mais, comprando carros e at\u00e9 casas \u2014 detalha Yoshinaga, que vai lan\u00e7ar um livro sobre a saga dos brasileiros no pa\u00eds. \u2014 Nesta \u00faltima d\u00e9cada, o perfil do imigrante n\u00e3o mudou muito.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo e pesquisador Angelo Ishi concorda.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Minha impress\u00e3o \u00e9 que, hoje, a principal massa de brasileiros que v\u00eam para c\u00e1 \u00e9 de pessoas que j\u00e1 t\u00eam experi\u00eancia pr\u00e9via de trabalho no Jap\u00e3o, ou s\u00e3o aqueles que j\u00e1 t\u00eam algu\u00e9m da fam\u00edlia vivendo aqui \u2014 opina Ishi, que d\u00e1 aulas na Universidade Musashi, em T\u00f3quio. \u2014 H\u00e1 muito tempo o Jap\u00e3o deixou de ser um eldorado, at\u00e9 por conta da absurda desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda japonesa.\u00a0<\/p>\n<p>O advogado Antonio Kotaro Hayata, 53, \u00e9 um dos que viveram nessa ponte a\u00e9rea. Na primeira vez, em 2002, ele veio estudar e aprimorar o japon\u00eas. Na segunda vez, em 2007, veio para acompanhar o fim da gesta\u00e7\u00e3o da primeira filha e conseguiu emprego na controladoria de projetos da Mitsubishi Fuso, fabricante de caminh\u00f5es e \u00f4nibus. Em 2011, voltou ao Brasil, mas com a ideia de vir ao Jap\u00e3o de novo, por isso investiu num apartamento pr\u00f3prio em T\u00f3quio. O retorno s\u00f3 aconteceu em 2018.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 Tinha acertado com minha fam\u00edlia que a educa\u00e7\u00e3o das minhas filhas seria no Jap\u00e3o, por isso voltamos \u2014 conta ele, que n\u00e3o pensa mais em voltar ao Brasil e h\u00e1 pouco conseguiu a autoriza\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Japonesa de Associa\u00e7\u00f5es de Advogados para atuar no pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-oglobo.glbimg.com\/xjjSIvG1zA1C2H8dpIyi4hMAFW4=\/0x0:1412x1585\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8\/internal_photos\/bs\/2024\/k\/i\/my5fFYQPCE8D4X15jI0w\/106456087-03-04-2024-expatriados-do-brasil-brasileiros-no-japao-antonio-hayata.jpg\" alt=\"Brasileiro morador do Jap\u00e3o, Antonio Hayata \u2014 Foto: Arquivo pessoal\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Brasileiro morador do Jap\u00e3o, Antonio Hayata \u2014 Foto: Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>A reforma de 1990 na lei de imigra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m delimitou as duas principais diferen\u00e7as da comunidade brasileira no Jap\u00e3o das demais comunidades brasileiras no exterior: ela pertence, na grande maioria, a um grupo \u00e9tnico espec\u00edfico e est\u00e1, na quase totalidade, regular (99,7%, segundo dados do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a).\u00a0<\/p>\n<p>Isso facilitou na solu\u00e7\u00e3o de diversos problemas. Nestas quase tr\u00eas d\u00e9cadas e meia, muitas das demandas dos imigrantes foram atendidas, sobretudo nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e trabalho. A aten\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade brasileira tem sido um dos principais eixos de a\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas consulados brasileiros no pa\u00eds e da embaixada em T\u00f3quio.\u00a0<\/p>\n<p>Entre as d\u00e9cadas de 1980 e 1990, o Jap\u00e3o manteve o segundo maior PIB do planeta. Mas a partir dos anos 2000, a m\u00e1quina foi desacelerando e, desde a crise econ\u00f4mica mundial de 2008, o pa\u00eds nunca mais se recuperou. A economia japonesa \u00e9 agora a quarta maior do mundo, atr\u00e1s de EUA,\u00a0China\u00a0e\u00a0Alemanha.\u00a0<\/p>\n<p>O pa\u00eds sofre tamb\u00e9m com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, tendo o maior \u00edndice do mundo de habitantes com 65 anos ou mais (29,1%). Em contrapartida, a taxa de natalidade \u00e9 de apenas 1,26% \u2014 em 2023, os nascimentos ca\u00edram pelo oitavo ano consecutivo.\u00a0<\/p>\n<p>Esses dados se refletem diretamente na escassez de m\u00e3o de obra e no crescimento econ\u00f4mico. Por isso, ano ap\u00f3s ano, o arquip\u00e9lago abre cada vez mais as portas aos estrangeiros. Em 2023, o n\u00famero de forasteiros vivendo no pa\u00eds chegou ao recorde de 3.411.000, um aumento de 10,9% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, segundo dados da Ag\u00eancia de Servi\u00e7os de Imigra\u00e7\u00e3o. O ritmo de crescimento, segundo especialistas, deve se manter, pois a falta de m\u00e3o de obra \u00e9 cr\u00f4nica. Segundo um estudo da Ag\u00eancia Japonesa de Coopera\u00e7\u00e3o Internacional, o Jap\u00e3o precisar\u00e1 de 6,74 milh\u00f5es de trabalhadores estrangeiros at\u00e9 2040 para atingir suas metas de crescimento.\u00a0<\/p>\n<p>Vietnamitas, filipinos e nepaleses foram as comunidades que mais cresceram nos \u00faltimos anos. A maior diferen\u00e7a para os brasileiros est\u00e1 no tipo de visto que esses trabalhadores conseguem. O governo japon\u00eas n\u00e3o quer mais dar brecha para que os estrangeiros mudem livremente de trabalho e de resid\u00eancia, que \u00e9 a grande vantagem do visto concedido para os nikkeis (descendentes de japoneses).\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 O Jap\u00e3o criou um sistema de concess\u00e3o de vistos que prioriza o controle sobre os trabalhadores estrangeiros, restringindo o tipo de atividade que ir\u00e3o exercer \u2014explica Ishi.\u00a0<\/p>\n<p>Com baixa qualifica\u00e7\u00e3o, contratos inst\u00e1veis e de curta dura\u00e7\u00e3o, exclu\u00eddos dos planos de promo\u00e7\u00e3o por tempo de casa e, em alguns casos, situa\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria irregular, os brasileiros s\u00e3o bastante vulner\u00e1veis a crises econ\u00f4micas ou transforma\u00e7\u00f5es estruturais na ind\u00fastria, como mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas ou introdu\u00e7\u00e3o de migrantes de outros pa\u00edses.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 O governo japon\u00eas nunca se empenhou em criar uma pol\u00edtica imigrat\u00f3ria. Somos tratados como parafusos. Quando d\u00e1 algum problema, basta trocar \u2014 desaprova o jornalista Yoshinaga.\u00a0<\/p>\n<p>Mesmo assim, o professor Ishi \u00e9 otimista em rela\u00e7\u00e3o ao futuro dos brasileiros no Jap\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 A tend\u00eancia \u00e9 que as gera\u00e7\u00f5es jovens se integrem melhor, at\u00e9 porque o governo japon\u00eas est\u00e1 se empenhando mais nas pol\u00edticas de coexist\u00eancia com os estrangeiros.\u00a0<\/p>\n<p>Por outro lado, no plano coletivo, como \u201ccomunidade\u201d, Ishi \u00e9 mais pessimista.\u00a0<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o enxergo uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica de longo prazo nas lideran\u00e7as comunit\u00e1rias para elevar a condi\u00e7\u00e3o da comunidade de forma coletiva.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/terrabrasilnoticias.com\/2024\/04\/descendentes-de-japoneses-estao-deixando-o-brasil-e-fazendo-o-caminho-de-volta-de-seus-ancestrais\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Arquivo pessoal Boa parte descendente de imigrantes japoneses, comunidade brasileira soma 211 mil integrantes que se beneficiam da escassez de m\u00e3o de obra no pa\u00eds, informa O Globo Pedro arrumou servi\u00e7o numa f\u00e1brica de autope\u00e7as na cidade de Seki, regi\u00e3o central do Jap\u00e3o, depois de quase um m\u00eas, enquanto Peetra ainda espera por uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3267,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[3988,94,3987,3986,3984,15,3081,3985,47,619],"class_list":["post-3266","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized","tag-ancestrais","tag-brasil","tag-caminho","tag-deixando","tag-descendentes","tag-estao","tag-fazendo","tag-japoneses","tag-seus","tag-volta"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3266"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3266\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3268,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3266\/revisions\/3268"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvfloridausa.com\/inscreva-se\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}