O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga hoje (09), a partir das 19h, a decisão do presidente da Corte, Nunes Marques, que suspendeu a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada em 19 de maio, por suspeita de indução de respostas ao incluir, no questionário apresentado aos entrevistados, um áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Vorcaro.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp
A liminar foi concedida ontem (08) após o magistrado acolher os argumentos apresentados pela equipe jurídica da pré-campanha de Flávio. O PL acionou o TSE alegando que o questionário continha elementos capazes de induzir uma percepção negativa sobre o pré-candidato à Presidência. A ação foi protocolada após denúncia do jornalista Claudio Dantas.
Segundo a representação, a AtlasIntel solicitava, em um dos trechos da pesquisa, que os entrevistados ouvissem um áudio de conversa entre Flávio e Vorcaro, divulgado pelo site The Intercept, sobre o filme Dark Horse. O material reproduzido não incluía a justificativa apresentada pelo senador para o financiamento do longa nem sua explicação de que não houve contrapartida. O áudio foi apresentado de forma isolada, sem o contexto completo do caso.
Ao analisar o pedido, Nunes Marques apontou indícios de possível indução dos entrevistados. Na liminar, o ministro do TSE afirmou haver elementos que podem ter comprometido a neutralidade do levantamento, entre eles a utilização de áudio vinculado a uma investigação.
O presidente da Corte Eleitoral ressaltou que a liminar, que suspende a divulgação, o impulsionamento, a republicação e a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa, não gera prejuízo caso a regularidade metodológica do levantamento seja posteriormente confirmada.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, afirmou Nunes Marques.
Para ele, há indicativos de que “a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”. “A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, acrescentou.
De acordo com Nunes Marques, outras 27 pesquisas realizadas pela AtlasIntel não utilizaram perguntas com conteúdo semelhante nem recorreram à reprodução de áudio durante as entrevistas.
O ministro do TSE também determinou que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para demonstrar a regularidade da metodologia adotada, especialmente em relação ao uso do áudio.