A sede da Macapá Previdência (MacapáPrev), localizada no centro de Macapá, foi invadida durante a madrugada de sábado (14). Da unidade foram levados computadores, documentos relacionados a processos administrativos e registros do sistema de monitoramento interno.
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O caso passou a ser investigado pela Polícia Civil do Amapá, que trabalha com a hipótese de que o crime possa ter sido direcionado a materiais específicos.
Segundo informações iniciais divulgadas pelo portal Metrópoles, uma das linhas de apuração considera a possibilidade de “queima de arquivo”, já que equipamentos pertencentes a servidores que pediram exoneração recentemente estariam entre os itens levados.
As primeiras análises apontam que não houve sinais de arrombamento externo no prédio. Durante a ação criminosa, também teriam sido interrompidas as conexões de comunicação dos sistemas internos da instituição.
A invasão ocorreu poucos dias após mudanças na direção da autarquia. A então presidente do órgão, Janaína Ramos, deixou o cargo no dia 6, um dia depois da renúncia do prefeito de Macapá, Dr. Furlan (PSD). Na segunda-feira seguinte (9), a presidência da MacapáPrev passou a ser ocupada por Lucélia Quaresma, nomeada pelo prefeito em exercício, Pedro DaLua (União).
Em nota publicada nas redes sociais, a Prefeitura de Macapá informou que não haverá atendimento na sede da previdência municipal nesta segunda-feira (16).
Sem mencionar diretamente a invasão, a administração afirmou que a suspensão temporária das atividades ocorre para a realização de “ajustes técnicos na rede do prédio”, com o objetivo de garantir a estabilidade dos sistemas e a segurança institucional.
Ao assumir o cargo, Lucélia declarou que pretende iniciar uma auditoria interna, revisar o fluxo de caixa do instituto e avaliar a real situação financeira do sistema previdenciário municipal.
Investigação sobre recursos e afastamento de autoridades
A situação da previdência municipal também passou a ser discutida no âmbito político local. Na quinta-feira (12), a Câmara Municipal de Macapá instaurou uma comissão para apurar possíveis infrações político-administrativas atribuídas ao vice-prefeito Mario Neto, que podem resultar em cassação de mandato.
Ele e o ex-prefeito Dr. Furlan foram afastados das funções por 60 dias no contexto da Operação Paroxismo, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura suspeitas de fraude em licitações relacionadas à Secretaria Municipal de Saúde, com indícios de direcionamento de contratos, desvio de recursos e lavagem de dinheiro em obras do Hospital Geral Municipal, projeto estimado em cerca de R$ 69,3 milhões.
Durante as diligências, a PF informou ao Supremo Tribunal Federal ter monitorado um veículo utilizado por Furlan que transportava uma mochila contendo aproximadamente R$ 400 mil em dinheiro. As medidas cautelares foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino.
Após o afastamento, Furlan optou por renunciar ao cargo, alegando que a decisão evitaria prejuízos à sua pré-candidatura ao governo do Amapá. Já Mario Neto segue no centro de questionamentos relacionados à situação financeira da MacapáPrev.
De acordo com representação apresentada à Câmara, o saldo do fundo previdenciário teria sofrido queda significativa em cerca de um ano, passando de aproximadamente R$ 181,8 milhões para R$ 105 milhões. O documento também menciona registros de retiradas consideradas atípicas e possíveis inconsistências entre registros contábeis e extratos bancários, além de indícios de desequilíbrio atuarial.
Conexão com investigação sobre investimentos
O cenário de investigações envolvendo fundos previdenciários no estado ganhou repercussão após uma operação da Polícia Federal realizada em 6 de fevereiro, que teve como alvo o então presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Silva Lemos.
Ele foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que não foi alvo da ação policial. Segundo revelado pelo jornal O Globo, Jocildo e o conselheiro José Milton Gonçalves teriam pressionado o comitê de investimentos da fundação a autorizar um aporte de R$ 100 milhões no Banco Master.
O investimento ocorreu apesar da resistência de outros membros do colegiado, que citaram um parecer técnico da Caixa Econômica Federal apontando elevado risco financeiro da instituição. À época, o fundo previdenciário do estado já havia direcionado cerca de R$ 200 milhões para o banco, que posteriormente foi liquidado pelo Banco Central.